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A NBC apresenta a sua série “serial killer hunter”, e não é uma série qualquer. Hannibal chega com a promessa de fazer com que o horário das quintas à noite do canal finalmente saia do buraco, com uma produção sombria, com proposta madura, e contando a história de um dos personagens mais bem sucedidos da história do cinema: Hannibal Lecter. Mas… será que “agora vai” para a NBC?

Hannibal conta a história de Will Graham (Hugh Dancy), um agente de campo do FBI especialista em serial killers. É uma alma atormentada pelo fato dele ser capaz de não só entrar na mente do criminoso, mas “se enxergar” na cena do crime com tamanha profundidade, que ele se coloca literalmente no lugar do executor do crime, com riqueza de detalhes. Ao mesmo tempo que isso mostra a sua eficiência na análise forense, isso o atormenta, já que desperta nele instintos primitivos, que obviamente ele quer evitar.

O chefe de Will, Jack Crawford (Lawrence Fishburne), percebe que ele precisa de ajuda em uma série de casos que envolvem o canibalismo. Então, ele resolve pedir a ajuda de um famoso psiquiatra forense, o Dr. Hannibal Lecter (Mads Mikkelsen), que por sua vez, adora uma carne de vez em quando (mas ninguém sabe disso). Hannibal começa a conviver com Will, e fica fascinado com a sua capacidade de analisar de forma tão profunda os criminosos, mesmo que em alguns momentos Will pareça visivelmente perturbado com isso.

Então, a série vai mostrar essa dualidade/simbiose entre os dois personagens centrais, onde em algum momento esse duelo psicológico virá à tona. Quem vai prevalecer? Will, com sua incrível habilidade de detectar como tudo aconteceu? Ou o Dr. Lecter, com uma vasta experiência de ocultar os seus crimes de forma perfeita?

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O piloto de Hannibal é muito bem feito, e disso, você não pode duvidar. Bryan Fuller já mostrou que pode fazer ótimos pilotos e episódios (o piloto de Pushing Daisies e alguns dos melhores episódios da “fase boa” de Heroes são obras dele). Toda a atmosfera de suspense estava lá, com técnicas de áudio, fotografia e edição que imergem o telespectador na proposta de suspense que a série carrega. O enredo do piloto é muito bem feito, e não tem as “barrigas” que normalmente detectamos em séries desse tipo.

Agora, devo dizer que é mais um procedural drama na sua TV. Não digo “mais um” do modo pejorativo. O que quero dizer é que, se você não gosta do gênero, não vai gostar de Hannibal, mesmo com um piloto bem feito. Se comparado com a última novidade em termos de séries com o tema “serial killers f*das pra c*r@lho” (The Following), a série da NBC tem uma narrativa mais lenta, mais detalhada e mais apurada. Com isso, as chances de erros diminuem, mas não desaparecem. Devo confessar que, depois de The Following, eu desconfio até da minha sombra, e só vou sair por aí afirmando que a série merece ser vista depois de, pelo menos, sete episódios exibidos. Se eu chegar até lá, darei meu parecer.

Hannibal estreou ontem (04) com uma audiência de 4.3 milhões de espectadores, registrando uma demo 18-49 anos de 1.6. Pode parecer pouco, mas é, pelo menos, 78% a mais de audiência do que a estreia da (porcaria de) série Do No Harm, já cancelada. Por outro lado, deu 20% a menos de audiência da estreia de Awake, série que todo mundo elogiou, mas que também foi cancelada.

Para complicar ainda mais, Hannibal vai ter que competir na audiência com Elementary (CBS), que é líder absoluta no horário, e Scandal (ABC), que sem chamar muito a atenção, deu o dobro de audiência da estreia da NBC.

É precoce, eu sei. Mas, mais uma vez, estamos diante de mais uma série promissora, com foco diferenciado, mas que pode ser cancelada por não ter audiência. Espero que Hannibal mostre o necessário nas próximas semanas para convencer Bob Greenblatt que audiência não é tudo nessa vida, e que a recuperação de prestígio e credibilidade é um processo lento. Mas como estamos falando do Bob e da NBC, meu conselho é: goste porque é boa, mas não se apegue muito logo de cara.