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É o Freeform brincando de Twin Peaks!

Desde que virou a chave e deixou de ser ABC Family, eu confesso que tenho uma certa dificuldade em identificar qual é a do canal. Ou se a do canal é ter mesmo séries de gosto duvidoso, que chama a atenção do público adolescente com propostas pseudo-adultas. De qualquer forma, Guilt estreou propondo um mistério sinistro, mas que tem falhas absurdas. Ou completamente desprovidas de lógica.

 

Do que se trata?

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Guilt tem um plot simples e direto. Era uma vez uma jovem norte-americana que está estudando em Londres, e como boa parte das garotas da sua idade, vive a vida de forma livre, desimpedida, descompromissada e baladeira. Afinal de contas, quem é que nunca encheu a cara e transou com o carinha gostoso depois da festa? (a minha resposta é não para as duas afirmações)

Porém, no dia seguinte, quando ela acorda e se dá conta da realidade, se depara com o fato de ela está basicamente em cima de uma outra moça, violentamente falecida e totalmente ensaguentada. É claro que a polícia, a imprensa e os curiosos são acionados. E, obviamente, a nossa protagonista é considerada a principal suspeita do crime. Mesmo porque sem isso, não teríamos série para contar.

A partir daí, uma sequência de eventos envolvendo a investigação deixa tudo ainda mais sinistro. Não bastando o fato da principal suspeita ser uma estrangeira (e toda a xenofobia que está envolvida nisso), conforme a busca pela verdade avança, as particularidades dos principais envolvidos mostra facetas bizarras e peculiares dessas pessoas, com detalhes que podem mesmo indicar (ou não) que aquela pessoa teria motivos suficientes para matar a vítima.

Mais: até o príncipe do Reino Unido está envolvido de alguma forma com esse crime! Como não?

 

Vale a pena?

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É difícil dizer o que eu penso de Guilt. Ainda não processei tanta informação.

Bom, o que posso afirmar é que ao menos é menos ruim do que Shadowhunters na sua produção, o que já pode ser considerado uma vitória. Porém, é um plot sem pé nem cabeça, onde algumas coisas claramente são jogadas para que resultem em um plot twist acrobático, para que a juventude errante fique dizendo nas redes sociais que a série é maravilhosa e muito melhor que Breaking Bad.

É desnecessário por exemplo envolver a realeza britânica nesse enredo. Poderiam simplesmente colocar o filho do prefeito de Londres, que já estava bom demais. Também é pouco crível ter uma moça tão próxima da morta como principal suspeita do crime. Não que ela não possa ser culpada. Mas seria o mesmo de você explodir uma bomba em uma cidade e ser encontrada do lado do local da explosão (Quantico).

Os personagens são pouco atraentes, os diálogos são fracos, os argumentos inconsistentes. Guilt, para mim, não funciona. Mas pode funcionar para o público-alvo do Freeform. Aliás, público esse que, ao que tudo indica, não mudou: o canal pode ter mudado de nome, mas busca o mesmo público adolescente que curte séries com linhas narrativas rasas. A grande diferença é que eles desvincularam a imagem familiar do ABC Family para adotar uma linguagem mais ousada, buscando uma faixa etária mais específica (entre 13 e 25 anos).

Ou seja, se você gostou de Shadowhunters, pode até gosta de Guilt. E pode até dar certo, levando em conta a temática do canal. Para os demais, pode esquecer. Nem perde tempo vendo esse piloto.