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Vou repetir o que eu disse no meu Twitter: é quase inacreditável que a NBC tenha estreado duas séries minimamente decentes em tão pouco tempo. Primeiro, About a Boy, e agora, Growing up Fisher. Tudo bem, não é a série mais incrível dos últimos tempos, mas é muito melhor do que qualquer draga que está passando nas noites de quinta-feira (e sim, estou incluindo Community e Parks and Recreation no termo “draga” #ChupaHaters).

Growing up Fisher é uma comédia single-camera semi-biográfica criada por DJ Nash. Ela mostra a vida da família Fisher, dando mais foco ao filho mais novo, Henry (Eli Baker) uma vez que a narrativa da trama é feita pelo próprio Henry na sua fase adulta (Jason Bateman). Henry vai relatar a passagem que é uma das mais difíceis e traumáticas para as crianças: ver os seus pais separados.

Henry é filho de Joyce (Jenna Elfman) e Mel (J. K. Simmons). Joyce é uma mãe “moderna”, que após o divórcio, quer recuperar a sua juventude de volta a todo custo. Nem que, para isso, precise usar as calças de sua filha mais velha, Katie (Ava Deluca-Verley). Já Mel é um advogado de sucesso, inteligente, e é o melhor amigo de Henry.

Só tem um pequeno detalhe: Mel é deficiente visual, e até então, Henry era os seus “olhos” para o mundo. Com o divórcio, as coisas mudam. Henry não poderá ficar o tempo todo ao seu lado, o que o obriga a recorrer à um “cão-guia”, que não é a mesma coisa. Porém, todas essas mudanças (que afetam a cada membro da família Fisher) serão fundamentais para reaproximar aquelas pessoas, em prol de novas perspectivas de vida.

Como eu disse, Growing up Fisher não é aquela série que você vai chamar de “espetacular” logo de cara. A série tem como principal mérito tratar de um tema relativamente sério (famílias com pais separados), com a perspectiva infantil, mas com uma leveza e singularidade que chamam a atenção. Além disso, o piloto é muito bem dirigido por David Schwimmer (isso mesmo, o Ross de Friends), que conseguiu extrair o melhor de cada um do elenco.

Ok, pode parecer golpe baixo da NBC usar mais uma série com uma criancinha fofinha para fazer com que a audiência se derreta com as situações carismáticas. Mas isso não importa: funcionou. A NBC não tinha comédias familiares na sua grade de programação (The Michael J. Fox Show não conta, na minha opinião – foi um erro grosseiro da NBC). Agora tem duas (se considerarmos About a Boy), com bons índices de audiência. Na verdade, números muito melhores que qualquer coisa que passa nas quintas-feiras por exemplo.

Além disso, Jenna Elfman mais uma vez mostra a sua competência em fazer comédia, e J.K. Simmons está adorável como pai de Henry. Isso pode ajudar a segurar alguma audiência. Ainda mais em uma série que, de alguma forma, “pega” parte da maior audiência da NBC (exceto o futebol americano): The Voice.

Pode cair de audiência? É claro! Estamos falando da NBC, oras! Mas ao menos temos algo que tem alguma chance de conquistar um público que, por exemplo, já assiste de forma fiel Modern Family (pelo amor de Deus, não estou comparando as duas: só estou enfatizando que as duas estão no mesmo terreno – comédias familiares).

Se você gosta de séries desse tipo, recomendo que ao menos veja o piloto. Como eu gosto de comédias familiares, eu recomendo. Sei que muitos dos leitores não gostam da melação entre pais e filhos, mas… não custa dar uma chance.