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E aqui temos uma das duas novas comédias da Fox para a temporada 2015-2016. A Fox tem problemas com a audiência de suas comédias, onde é difícil que uma engrene com consistência (e quando isso acontece, tem audiência nanica). Mas o problema nem é esse. O grande problema é que eu gostei de Grandfathered, mesmo não achando a melhor comédia do mundo.

Grandfathered é focada na vida de Jimmy Martino (John Stamos), um dono de um restaurante dos seus 50 anos de idade, que vive a vida que sempre sonhou. Um solteirão convicto, rico, bem sucedido, que tem o charme e a simpatia naturais para conduzir os negócios com eficiência e bons resultados financeiros. Como era de se imaginar, Jimmy é naturalmente vaidoso, e nega os sinais da idade a todo custo.

O mundo perfeito de Jimmy começa a mudar quando Gerald (Josh Peck) aparece em sua vida. O nerd meio bobão informa à Jimmy que é seu filho (uma novidade chocante para nosso protagonista) e, de quebra, revela ao pai que tem uma pequena bebezinha, que é sua filha. Ou seja, em 30 segundos, Jimmy sai de solteirão cobiçado para pai e avô. O que o deixa apavorado.

A partir daí, Jimmy tenta se encaixar nesse novo universo, conhecendo um pouco mais da vida do seu filho (um desenvolvedor de impressoras 3D, que teve a filha com uma amiga – que ele quer que se transforme em namorada), além de cobrar a antiga namorada/mulher que ele sempre amou Sara Kingsley (Paget Brewster) sobre os motivos pelos quais ele nunca soube que era pai. Apesar de tudo parecer confuso para Jimmy, ele se vê seduzido por encontrar novos objetivos na sua vida, sem falar que ele recebe “do nada” algo que ele não tinha há muito tempo: uma família.

E a partir daí, vamos ver os encontros e desencontros desse núcleo familiar totalmente desconexo e disfuncional, mas que pode funcionar juntos em prol do desejo de garantir boas condições de vida para a pequena criança.

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Eu não dava absolutamente nada para Grandfathered. O promo não ajuda, e John Stamos menos ainda. Porém, fiquei surpreso ao constatar que gostei do final do piloto, pelo simples fato dele funcionar na missão de apresentar uma série minimamente carismática e identificável para o americano médio.

Eu sei que tem muita gente que torce o nariz até hoje para John Stamos. Mas se tem um papel que ele pode fazer bem a essa altura de sua carreira é a do pegador de meia idade que tenta fugir do envelhecimento. Até porque desconfio que é isso o que ele faz na sua vida real. Logo, por incrível que pareça, ele está crível nesse papel, e isso dá “credibilidade” à proposta da série.

Aliás, a premissa geral de Grandfathered não é tão absurda assim, apesar de ser uma série onde as coisas acontecem “do nada”. Famílias disfuncionais nós temos aos montes. E essa série só segue (de forma diferente) a mesma mecânica presente em produções como Modern Family e Life in Pieces: as duas fogem de apresentar uma família convencional, mas mostrando claramente que família é aquele grupo de pessoas que estão lá por você, para ser o seu porto seguro, e que te amam incondicionalmente.

E não exclusivamente aquilo que o os políticos brasileiros entendem.

Eu não acho que vou continuar com Grandfathered até o final da temporada, e se a série for renovada, será com muitas dificuldades, ainda mais que vai ao ar durante a semana, e não aos domingos. Mesmo assim, não desgostei por completo do piloto. Eu me diverti em momentos pontuais, por conta das situações apresentadas e do bom texto. Não foram 20 minutos perdidos da minha vida como eu imaginava. Mas também não acho que vai roubar o grande público de assalto.

Bom… isso é… Grandfathered é uma excelente forma de testar a popularidade atual de John Stamos nos Estados Unidos. Se as pessoas ainda gostarem dele, ela tem alguma chance. Se eu fiquei positivamente surpreso com a série, quem sabe outros não podem ficar?