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E Gracepoint finalmente estreou. Assim como finalmente poderemos falar de algo bacana da Fox que não responda pelo nome Gotham, que não levanta polêmicas por conta da proposta geral da série, que não deixe as pessoas de #mimimi por conta da história apresentada… não… pera… não é bem assim.

Gracepoint mostra uma pequena cidade do interior, com pessoas simples, onde todo mundo conhece todo mundo. Nada de diferente acontece, a vida é pacata e todos só precisam lidar com os seus problemas cotidianos. Até que o pequeno Danny de 12 anos de idade é encontrado morto em uma praia local. E isso muda completamente a vida de todos por lá, e não apenas dos pais da criança.

Quem assume o caso é novo detetive da cidade, Emmett Carver (David Tennant), que substitui Ellie Miller (Anna Gunn), que está voltando de férias justamente no dia em que o corpo de Danny é encontrado. Some a frustração de ser substituída, o fato do seu novo ‘colega de trabalho’ ser um escroto, e da vítima ser o filho de sua melhor amiga, e você pode imaginar como Ellie está em frangalhos. De qualquer forma, ela prometeu aos pais de Danny que descobriria o que realmente aconteceu, e segue em frente na investigação.

Emmett, além de ser um dos sujeitos mais estúpidos que a pequena cidade já conheceu, é altamente competente no que faz. Rapidamente entende que não foi suicídio, e começa sua investigação em busca do assassino. Deixa claro que quem cometeu o crime é um dos moradores, e que ainda está na cidade. E que todos são suspeitos. De fato, pode ter sido qualquer um. Definitivamente. Até quem você menos espera que possa cometer um crime.

O incidente gera uma atmosfera de desconfiança e medo em todos os moradores. As mães ficam apavoradas com a possibilidade de seu filho ser a próxima vítima, ou de um dos seus parentes e familiares estarem envolvidos no crime. E o clima de desconfiança só aumenta quando a imprensa local vaza informações sobre o crime, que desperta o interesse de jornalistas de outras cidades.

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Levando em conta que eu não assisti Broadchurch (e já vejo pessoas me dizendo para assistir a versão britânica; vou assistir, mas depois), eu gostei e muito do piloto de Gracepoint. Mesmo. Apesar de considerar um piloto relativamente lento (nada acontece na prática, pois os personagens são apresentados e a investigação começa efetivamente), a série apresenta a sua história de forma competente, com bom texto e boas interpretações.

Um destaque especial para o moço David Tennant, que no papel do detetive Emmett Carver, não lembra em nada o carismático doutor que interpretou em Doctor Who. Aliás, a composição de Tennant para o personagem foi competente ao ponto de não ter nenhum rastro de sotaque britânico em suas falas. Sobre Anna Gunn, nós já sabemos do que essa mulher é capaz de fazer diante das câmeras.

Mas não apenas a dupla de protagonistas convence. Os demais membros do elenco conseguem passar a impressão que realmente estamos diante de pessoas comuns, que vivem em uma cidade costeira do interior dos Estados Unidos. Isso é excelente para incluir o telespectador na atmosfera da série.

Por fim, recomendo o piloto de Gracepoint. Vou acompanhar a série porque ela entregou um piloto de qualidade, e também pelo fato da série só contar com dez episódios (ela é tratada como uma minissérie ou ‘event series’), e isso automaticamente faz com que a produção não perca muito tempo explorando personagens que podem não ser importantes para a trama, indo direto no que realmente interessa: o processo de investigação e resolução do caso.

Talvez Gracepoint seja a série que a Fox pode mesmo se orgulhar em ter nessa temporada 2014-2015. E, mesmo que não dê certo com a audiência, será curta demais para ser cancelada repentinamente. Logo, é uma aposta segura para se assistir.