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Viver não é uma tarefa fácil. E fica ainda mais difícil quando você descobre que o seu marido tem um caso há 20 anos com o sócio dele. Piora ainda mais quando ele decide te largar para se casar com ele. É isso mesmo: Grace and Frankie, nova comédia da Netflix, fala dos desafios de recomeçar em uma idade avançada, de vencer preconceitos, e principalmente: de se encontrar em um cenário que você não se encaixa mais.

Grace Hanson (Jane Fonda) era casada com Robert (Martin Sheen). O casamento não era lá grande coisa, mas ao menos eles mantinham o status e a aparência de um casamento estável. Robert é há mais de 20 anos sócio de Sol Bergstein (Sam Waterson), que por sua vez é casado com Frankie (Lily Tomlin). Sol e Frankie formam um casal mais harmonioso – bom, pelo menos ela declaradamente ama o marido -, onde os dois se entendem apesar de suas diferenças evidentes (ele é um certinho, ela é uma hippie).

O mundo dos quatro começa a mudar quando Robert e Sol informam para Grace e Frankie que vão deixá-las, depois de mais de 40 anos de casamento. Isso não seria tão chocante se os dois, como um ‘bônus’, anunciam que vão se unir em um casamento totalmente improvável (para elas), e que só faz sentido depois de várias referências que ambos deixaram ao longo desse tempo todo. Inclusive uma casa na praia, comprada em conjunto pelos quatro.

Sem rumo na vida, tanto Grace quanto Frankie decidem enfrentar esse difícil momento da vida juntas, apesar de pertencerem a mundos completamente diferentes. Na tentativa de não se matarem, elas terão que combinar a raiva e a frustração pelos ex-companheiros com o desejo de se reinventarem diante de si e do mundo.

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Grace and Frankie é mais um acerto da Netflix. E poderia parar por aqui. Mas não vou. A série de Marta Kauffman (criadora de Friends) e Howard J. Morris é impecavelmente bem pensada, com um texto afiado, e toda a competência dos quatro protagonistas, que passam nas suas interpretações todas as intensões e sensações dos seus personagens. Você é imergido na proposta geral do grande conflito criado pelas escolhas de cada um deles e, mesmo assim, não consegue escolher claramente um dos lados, pois cada um deles tem os seus motivos para fazerem suas escolhas.

O elenco de Grace and Frankie é impecável, equilibrado e perfeito para a proposta geral da série. Cada um deles é capaz de mostrar a personalidade de cada um dos personagens, mas sem deixá-los caricatas. São pessoas comuns, com traços claros de humanidade, e não personagens freaks que só existem no mundo da TV. Você poderia encontrar qualquer um dos quatro personagens no seu ciclo de amigos. E se sensibiliza por eles.

Afinal de contas, os quatro buscam se reencontrar na vida. Recomeçar a sua jornada. Buscar a felicidade com diferentes perspectivas. Se já não fosse difícil refazer a vida na velhice, imagine fazer isso com um parceiro do mesmo sexo. Todo o aspecto social que envolve essa escolha está diretamente relacionado com as dificuldades em começar uma vida a dois com a pessoa que se ama, depois de tanto tempo em segredo.

Para Grace e Frankie, o impacto é tão dramático quanto. O casamento das duas acabou, e seus maridos as trocaram por outro homem. Isso gera a frustração, a revolta, a decepção. Tudo isso será trabalhado pelas duas, que ficarão juntas nessa barra de vida. Apesar de serem completamente diferentes. O que não é ruim, já que nos completamos por conta das diferenças que encontramos nas relações humanas.

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Grace and Frankie tem um humor refinado e inteligente. Apresenta de forma simples as situações que derivam desse cenário peculiar, com tiradas pontuais e várias metáforas sobre a vida. Você pode não achar essa a melhor comédia de sua vida, mas por todos os fatores envolvidos e relatados nesse post, é altamente recomendado que você veja o piloto da série, e pelo menos o segundo episódio.

Vencer barreiras, mudar a perspectiva do futuro, superar os preconceitos… e se divertir com esse processo de reinvenção. É o que Grace and Frankie tem a oferecer.