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A maior aposta da Fox nessa temporada finalmente estreou. Gotham, que é considerado um prequel da história de Batman, um dos personagens mais importantes da história da DC, é mais centrada na história de James Gordon do que na de Bruce Wayne necessariamente, mas vai mostrar o crescimento desses dois personagens, até o ponto onde ambos se consolidam nas personalidades clássicas que o mundo conhece.

A história começa com a chegada do novo detetive do Departamento de Polícia de Gotham City, James Gordon (Ben McKenzie). Pelo menos no início, ele será companheiro de investigações de Harvey Bullock (Donal Louge), e é por causa dele que ele descobre como funciona a rede de criminalidade local, controlada de forma majoritária por Don Carmine Falcone (John Doman) e gerenciada por Fish Mooney (Jada Pinkett Smith). O cenário que o detetive Gordon encontra na cidade é o pior possível: Gotham é uma cidade tomada pela criminalidade, onde os cidadão são vítimas de pequenos furtos, assassinatos acontecem a qualquer momento, e a corrupção corre solta em todas as esferas. Inclusive na policia local.

Mas Gordon começa a conhecer todo esse cenário de caos mais de perto quando os pais do jovem Bruce Wayne (David Mazouz) são mortos durante um suposto assalto. Só que não. Foi duplo assassinato. O jovem detetive promete ao jovem Wayne que vai descobrir o autor dos crimes, e nessa busca, descobre não apenas as motivações do crime (até porque é ‘altamente suspeito’ ver Fish Mooney com o colar de pérolas da falecida esposa), mas também o quão contaminado estava os demais órgãos da justiça, com membros da máfia de Falcone espalhados por todos o lados.

Não só isso. Gordon vai se ver praticamente sozinho, cercado por um mar de ‘tubarões’. Bandidos, traíras e mentirosos existem aos montes em Gotham. Vai descobrir em algum momento que até mesmo a sua noiva, Barbara Kean (Erin Richards) está envolvida de alguma forma com os podres da turma de Falcone, sem falar na corrupção praticamente escancarada na polícia local.

Rapidamente, Gordon vai ter que aprender a jogar esse jogo. Não apenas para tentar limpar a criminalidade das ruas de Gotham City. Mas pela sua própria sobrevivência.

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O piloto de Gotham é bom. Muito bom. A Fox e a Warner Bros (que produziu a série) trabalharam muito bem na ambientação da série, mostrando uma fotografia que passa um ar mais soturno (quase um ‘noir) para a produção. Algumas assinaturas visuais do mundo de Batman estão presentes, como pessoas que adoram ficar no topo dos prédios, carrões clássicos estilosos e trajes característicos dos policiais da cidade. Mas não se enganem: Gotham é uma série que se passa no tempo presente, e não no passado.

Aliás, recomendo que use as referências clássicas como uma localização da série dentro de sua atmosfera particular. Uma forma de assinar a produção, para que o telespectador saiba o tempo todo que está assistindo uma série cuja referência principal é o universo do Batman. Acho que isso é importante para estabelecer uma conexão mais próxima da história com o seu público-alvo.

Mas a melhor notícia do piloto de Gotham é ver que a série não é uma galhofa como alguns promos queriam vender. É um drama que se propõe a ser sério, ou ao menos querendo contar uma história que se aproxime das fases mais sombrias de Batman nos quadrinhos. Talvez o personagem mais ‘engraçadalho’ é mesmo o Oswald Coblepot, também conhecido como Pinguim (Robin Lord) e, mesmo assim, até mesmo esse personagem ainda mostra o seu lado assassino em algumas cenas.

Com um roteiro bem estruturado e personagens que podem agradar, Gotham acertou no primeiro episódio. Particularmente, continuo na torcida para que a série agrade tanto aos fãs do Cavaleiro das Trevas quanto ao grande público que quer assistir uma boa série de TV. Por conta dos acordos de distribuição internacional e de reprodução via streaming na Netflix, já podemos dizer que a série nasce praticamente renovada. Mas seria muito importante a produção obter uma audiência doméstica satisfatória, para consolidá-la como uma série renovada pelos seus méritos também nesse aspecto.

E, é claro, resta a torcida para que a série não caia na galhofa completa daqui para frente. Afinal de contas, teremos uma temporada inteira para saber se Gotham consegue repetir as ótimas primeiras impressões do piloto.