Como você lida com a perda de algo muito querido para você? Nosso amigo Matthew Perry diz “less talk, more action”.

Go On (NBC) foi uma das pré-estreias que o canal do pavão antecipou nas suas séries de comédia para a próxima temporada. A outra foi Animal Practice, mas depois eu perco tempo com ela. Mas… não sei se é o “efeito Chandler/Matthew Perry”, mas gostei do piloto de Go On. Bom, pelo menos é muito melhor do que Mr. Sunshine (ABC), o que, cá para nós, não é algo muito difícil. Mas não é só isso.

Perry faz o papel do jornalista esportivo Ryan. Que nada mais é do que o Chandler adulto, como cronista de rádio. Chandler continua bem vivo em Matthew Perry, mas isso pouco importa. Os norte-americanos meio que gostam e esperam por isso. E, diferente de Mr. Sunshine, o “Chandler” de Go On está melhor integrado ao contexto da história. Apenas para te colocar dentro da premissa: Ryan perdeu a sua mulher recentemente. Decidiu voltar ao trabalho apenas um mês depois dessa perda, e seus chefes o orientam a buscar a terapia em grupo, para que ele consiga passar pelo luto de forma mais efetiva. Porém, o que Ryan quer é voltar ao trabalho o mais depressa possível.

Nesse ponto, tenho que concordar com Ryan. Eu mesmo acho terapia em grupo algo constrangedor. E o ponto que a série coloca tem o seu fundamento. Chega um momento em nossas vidas em que falar não vai aliviar nossas mágoas, ou minimizar o sofrimento de nossas perdas. O que é preciso é fazer. Agir por nós mesmos. Seguir em frente (ou “Go On”, literalmente). Ryan propõe isso ao grupo, com “terapias alternativas” divertidas e inusitadas, mas que mostram que as pessoas, no fundo, são competitivas, curiosas e instigadas a fazerem as coisas.

Por outro lado, o piloto mostra o quão é importante falarmos sobre essas perdas. Colocar para fora essas frustrações é fundamental para que a gente não enlouqueça, ou para que as emoções não se aflorem. O legal em Go On é que ela soube mostrar no piloto esses dois lados, equilibrando o drama e a comédia de forma consistente, sem deixar o piloto sarcástico demais ou meloso de forma excessiva.

A história te convida a ver a trajetória de Ryan nesse “seguir em frente”, onde ele mesmo identifica essa necessidade de compartilhar a dor que ele ainda sente. Ao mesmo tempo, apresentar aos que te cercam na terapia que o mais importante nessa vida é buscar dar essa continuidade o quanto antes, para que esse sentimento pesado não tome conta do nosso cotidiano. E em algumas vezes, isso deve ser feito realizando aquilo que mais queremos. Seja socar alguém, sejam transar com alguém… ou correr atrás do carro do Google Street View.

No final das contas, o piloto do Go On me agradou bastante. Admito que minhas expectativas com a “nova série do Chandler” eram baixas, mas o piloto foi bem feito, dei algumas risadas com piadas bem pontuais, e curti rever o “Chris” de Everybody Hates Chris (CW) na tela novamente. Devo continuar para ver qual será a sequência dessa história. E, quem sabe, dessa vez (finalmente), a maldição de Friends pode acabar (se bem que Cougar Town, que nem é lá grande coisa, vai para a quarta temporada…)