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A MTV – a “Millennium Television”, e não a “Music Television” – estreou mais uma produção original, e dessa vez, eles decidiram abalar as estruturas da sociedade cristã ocidental. Faking It tinha tudo para ser mais uma comédia aborrescente, com todos os esteriótipos e dramas existenciais (que só são dramas para os adolescentes) que já estamos acostumados a ver em várias e várias séries que já resenhamos aqui no blog. Porém, felizmente, tenho que dizer que, nesse caso, temos um sonoro “só que não”.

Na verdade, Faking It começa com um tema que é mais batido que o bife que sua mãe preparou para você no almoço de hoje: a popularidade no ensino médio. Alguns adolescentes simplesmente não querem mais viver no insosso mundo do anonimato, e querem se destacar entre os diferentes grupos sociais previamente estabelecidos por eles mesmos, custe o que custar.

E é exatamente isso que Karma Ashcroft (Katie Stevens) pensa. Para sair do anonimato colegial, e se tornar visível para os demais em seu colégio, Katie convence sua melhor amiga, Amy Raudenfeld (Rita Volk), que realmente valia a pena para a dupla fingir que elas são um casal lésbico, pois isso daria a tão sonhada visibilidade e ascensão social. De fato, o plano dá certo: de forma inusitada, elas se tornam da noite para o dia o “casal” mais popular do colégio, e as portas naturalmente começam a se abrir.

Porém, Karma não consegue segurar a onda da farsa por muito tempo. Não só se apaixona por um dos gatinhos do colégio, Liam Brooker (Gregg Sulkin), como a ex-garota mais popular da escola começa a pegar no pé das duas, depois de descobrir que tudo isso que está acontecendo é uma armação.

Sem falar que a coisa vai ficar tensa mesmo quando Karma descobrir que Amy também está fingindo… mas para a própria Karma. E sentimentos ocultos se manifestarão ao longo da temporada.

O que dizer sobre Faking It? Que, antes de qualquer coisa… eu gostei da ideia geral da série.

A MTV já sacou o que o seu público quer ver nas suas comédias: as minorias adolescentes sendo representadas. Mais: de alguma forma, essas minorias dando a volta por cima, ficando em evidência. Já vimos essa fórmula funcionar em Awkward e The Hard Times of RJ Berger. Em Faking It, os gays estão em evidência, e o mais legal de tudo isso, é que eles se destacam em Austin, Texas. Uma cidade que, segundo dizem, “nem parece que é no Texas”, já que recebe a influência dos estudantes que aparecem de vários locais dos Estados Unidos.

Além disso, a série também trata com bom humor de uma constante nos plots adolescentes, que são os grupos segmentados e segregados. Como Karma e Amy são as mais populares, elas conseguem, de alguma forma, driblar tudo isso, e em alguns casos, está unificando esses grupos. Sim, pois (quase) todos acabam apoiando o casal lésbico.

Como bônus, a própria produção mostra um grupo de alunos de mente aberta, que vão se divertir na festa cujo anfitrião é um dos alunos abertamente gays. E lá, vemos figuras de todos os outros grupos: os esportistas, as patricinhas, os malucos, os nerds, os excluídos… e o casal lésbico, é clado (que acaba sendo incluído na sociedade estudantil).

No final das contas, achei a proposta de Faking It mais interessante do que as demais comédias apresentadas pela MTV até agora. Trata de forma bem humorada e inusitada alguns dos tabus e preconceitos que não estão presentes apenas na vida do adolescente médio norte-americano, como também dos adultos. Vai causar barulho? Com certeza (ainda mais quando os pais desses jovens começarem a tomar conhecimento do que os seus filhos andam fazendo na escola). Mesmo assim, vale a pena dar uma olhada no piloto.

Se você gosta de Awkward, certamente vai gostar de Faking It. E lembre-se “open your mind”, porque, no final das contas… “girls just want to have fun”.