Confesso que fui muito resistente para assistir ao piloto da terceira nova série da CW, Emily Owens, M.D.. Minha paciência à séries médicas com recém formadas que são meio abobalhadas, mas que no final sempre encontram uma forma de sua passar a sua ótica positiva e “realista” do mundo está meio baixa nesse momento (obrigado, Shonda Rhimes), mas devo admitir que, para a minha própria surpresa, esse piloto não foi a tragédia toda que eu esperava. Tá, a série está bem longe de ser espetacular. Mas também não é de ser cancelada logo de cara.

A série está diretamente centrada na história de Emily Owens (Mamie Gummer), que está entrando no seu primeiro ano no Denver Memorial Hospital. Emily é uma looser, e ela mesma se reconhece assim. Durante toda a sua vida antes da faculdade, ela sofreu todo o tipo de provação que que uma pequena nerd pode passar. Mas superou tudo isso, chegou na faculdade, se formou, e ao sair dela, acreditava que tudo seria diferente, e que ela teria o controle pleno de sua vida.

Ledo engano. A vida deu para ela de presente um verdadeiro reboot do colegial, onde ela encontra como colegas de hospital a sua paixão de ensino médio, Will (Justin Hartley) e a sua principal algoz no colegial, Cassandra (Aja Naomi King), que te deu o singelo apelido de “poça”. Resultado: agora, além de salvar vidas e passar as suas filosofias de vida para o telespectador, Emily precisa conciliar o seu ar de “estou babando em cima do homem que não me dá a mínima”, e a sua nêmesis do passado, que vai querer fazer da sua vida no hospital um verdadeiro inferno.

E, como é peculiar nesse tipo de série, Emily encontra dois novos amigos, além de se tornar rapidamente a queridinha da médica mais prestigiada do hospital, sendo esse mais um elemento para que Cassandra, por ciúmes, pratique bulling contra Emily.

Com isso, chegamos à rápida conclusão que Emily Owens, M.D. nada mais é do que um Grey’s Anatomy for dummies. Mas isso não chega a ser algo tão ruim quanto você já está pensando. A série é uma dramédia bem água com açúcar e afeto, que não vai mudar a sua vida, mas ao menos rende umas pequenas risadinhas entre um constrangimento e outro que a protagonista passa. Ao menos na primeira impressão, e com toda a má vontade do mundo que tive para ver o episódio, posso dizer que Emily é um pouco carismática. Desajeitada, com ar de panaca, mas inteligente e carismática.

Não há muitas barrigas no piloto, e temos que comprar a ideia que, desde o piloto, Emily já é “a” cirurgiã promissora, que todos no futuro vão pagar um pau para ela, pois ela é “o futuro da medicina moderna” (pelo amor de Deus, para aqueles que são mais burros e não entendem a ironia em um texto, vou desenhar: prestem atenção nas “aspas”). Até porque, logo no primeiro dia, ela salvou a vida de sua paciente duas vezes. Sem falar no fato que ela consegue dar a resposta certa para qualquer questão médica, mesmo que ela não  ouça nenhuma palavra dessa pergunta, já que ela fica metade do episódio divagando com os seus pensamentos.

Mas, por incrível que pareça, nada disso me irritou. Achei até que o piloto foi um trabalho bem honesto da CW (dentro da proposta do “mundo CW”), e se o canal conseguiu manter no ar Hart of Dixie por uma temporada inteira, não será nenhum absurdo que Emily Owens fique no ar por mais algum tempo. Ok, não teve aquela audiência toda que Arrow e Beauty and the Beast deu na preimiere, mas tem séries da CW dando a metade de audiência que a série médica deu em sua estreia. Logo, se manter metade disso, Emily vai continuar operando por um bom tempo.

Ok, eu sei que não vou continuar vendo a série. Até porque tem uma fila muito melhor de séries para continuar assistindo. Então, vamos definir para quem a série serve: Emily Owens M.D. é para quem gostou de Hart of Dixie, e para quem já gosta de Grey’s Anatomy, mas está de saco cheio daquilo que Shonda Rhimes está fazendo com a série. Todo mundo precisa de uma série leve e descompromissada para ver naquele momento que o controle remoto está bem longe, e que você está com a maior preguiça do mundo para ir atrás dele. E acho que essa pode ser uma boa dica para quando essa situação acontecer. Acredito que a audiência da “família CW” vai gostar, e muito.