A CBS começou a mostrar as suas novas séries, até porque a Fall Season finalmente começou com tudo (série é o que não falta para ver…). Uma das maiores polêmicas durante o meio de temporada foi o anúncio de Elementary, série que traria Sherlock Holmes para Nova York. Muita gente criticou a iniciativa de trazer o detetive mais famoso do mundo para os Estados Unidos, e o criador de Sherlock, exibida pela BBC America, Steven Moffat, afirmou que estava “pronto para anotar as similaridades”, para processar os norte-americanos. Penso eu que, na minha humilde opinião, muita gente falou muita bobagem, pois, apesar dos erros, o piloto de Elementary é bom!

O problema das pessoas que detonaram a iniciativa da CBS sem ver o piloto é um velho mal da humanidade: comparar tudo. Vou deixar meu ponto de vista muito claro nesse post, para que ninguém venha distorcer as minhas palavras: eu acho Sherlock uma série espetacular. Muito bem feita, com atuações incríveis, argumentos excelentes, e tudo feito no lugar certo, na hora certa. Mas não creio que, baseado nisso, Elementary tenha a obrigação de ser igualmente espetacular. Ela tem que ser boa o suficiente para o público norte-americano. Ponto e basta.

Não há nenhuma obrigação de uma produção ser próxima da outra em nenhum aspecto, até porque as duas são feitas para públicos diferentes e propostas diferentes. Acho que algumas pessoas precisam mesmo abrir o espectro nesse sentido. Confesso que vi a proposta de Elementary com dois pés atrás, ainda mais com um promo fraco lançado pela CBS. Mas, ao ver o piloto de 47 minutos, me convenci que a série é boa o suficiente para garantir a renovação com certa facilidade.

A série é um drama procedural. E a CBS é a “casa” dos dramas procedurais na TV aberta dos Estados Unidos. Logo, meio caminho andado. Elementary se foca essencialmente na vida de Sherlock Holmes (Jonny Lee Miller), que nessa versão e um ex-consultor da Scotland Yard, que veio para os Estados Unidos para se reabilitar do seu vício em drogas. Holmes acabou de sair (ou melhor, fugir no último dia) de sua reabilitação, e a pedido do seu pai, precisa ficar sob a intensa supervisão da Dra. Joan Watson (Lucy Liu), que acaba sendo a sua parceira nas investigações dos casos passados pela polícia de Nova York. E isso é tudo o que você precisa saber, por enquanto.

Não sou muito fã das séries do tipo “caso do dia”. Acho que, para esse tipo de série dar certo, tudo vai depender do carisma do personagem principal, e da sua capacidade de prender a atenção do telespectador. E o Sherlock Holmes de Jonny Lee Miller conseguiu isso. Eu esperava um Holmes mais paranoico e espalhafatoso, mas isso não aconteceu. Bom, pelo menos não no ponto que me pintaram.

O Holmes de Elementary possui alguns dos tiques que o personagem clássico possui, o que cria um vínculo forte o suficiente para não descaracterizá-lo completamente. Talvez alguns podem achar moderno demais o excesso do uso de tecnologia pelo personagem principal, e alguns momentos de raiva repentina, mas vamos levar em consideração que o personagem é meio surtado mesmo.



Elementary
tem alguns erros no seu piloto. Alguns menores, como por exemplo, ter fotos em um celular com mais de dois anos, mas o smartphone mostrado é um Nokia Lumia, lançado no ano passado (ok, isso é coisa de geek chato). Mas acho que o maior erro da série é mesmo Lucy Liu. De novo, ela tem a expressividade de uma penteadeira, e é o mais forte argumento daqueles que são contra a produção. Particularmente, não me incomoda que Watson seja uma mulher. Afinal de contas, é uma versão, ou releitura da história (tem gente que faz força para não entender isso). O que me incomoda é que seja a Lucy Liu, que nem boa atriz é!

Fato é que Elementary apresenta o mais importante: um Sherlock Holmes muito inteligente, sarcástico, sagaz e perspicaz nas suas observações. O caso apresentado no piloto foi bem amarrado, com uma explicação bem feita para revelar o assassino, e em nenhum momento foi desinteressante e sonolento. E olha que eu assisti o piloto durante a madrugada.

Não sei se a série vai conseguir manter esse nível que, de novo, considero bem melhor do que aquilo que pintaram por aí. Acho que as pessoas precisam parar de ver as coisas com o coração, e usar um maior nível de imparcialidade, ou parar de julgar sem ver. Elementary não é uma porcaria. Para a CBS, é uma série que o seu público vai gostar, e pela qualidade apresentada. Não é incrível como Sherlock, mas não precisa ser. Sendo melhor que The Mentalist, já é uma vitória para mim.