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Mais uma vez a Rede Globo aposta em um drama policial. Dupla Identidade é uma criação de Glória Perez, uma das melhores novelistas brasileiras (apesar de ter no seu currículo Caminho das Índias… desculpa, mundo), e conta com direção de Mauro Mendonça Filho, e tenta mais uma vez trazer a estética e narrativa das produções norte-americanas para a TV brasileira. Com uma proposta de um thriller psicológico mais focado na investigação do que no mistério em si, vamos conhecer melhor o que se passa na série onde o galã é o serial killer. Mas não é só isso.

A trama é centrada no personagem Edu (Bruno Gagliasso) advogado e estudante de psicologia, e serial killer nas horas vagas. Bom, quero dizer, pelo menos é isso o que a série dá a entender no seu piloto (vai que Glória Perez inventa um plot twist absurdo… e não duvido que isso possa acontecer). Ele trabalha para o Senador Oto (Aderbal Freire Filho), político que tenta a re-eleição, sem qualquer tipo de escrúpulos e comedor de mulheres nas horas vagas.

Onde esses dois mundos começam a se colidir? Edu sugere para Oto levantar a causa de uma nova legislação para leis mais rígidas nos crimes de estupro e violência contra a mulher, aproveitando o momento em que uma série de crimes acontecem no Rio de Janeiro, com as mesmas características: mulheres, jovens, sem muitas pistas para a polícia – que quando encontra tais pistas, são evasivas, ou propositalmente colocadas para apontar para um criminoso em específico. Que não é o Edu, é claro.

Do outro lado da trama, temos Dias (Marcello Novaes), delegado que quer ser Secretário de Segurança, e está encarregado na investigação do caso do serial killer. Porém, Dias é corruptível, amigo do Senador, e pouco propenso a investigar o caso da forma adequada, pois precisa defender os seus interesses. Além disso, precisa lidar com a presença de Vera (Luana Piovani), psicóloga forense (e ex peguete de Dias), que chega para fazer o seu trabalho, ou seja, fazer o trabalho que Dias não faz.

No meio de tudo isso, temos Ray (Débora Falabella), amiga de uma das vítimas de Edu, e nova vítima em potencial do serial killer, já que começa um relacionamento amoroso com o mesmo Edu “cara de bom moço que retalha mulheres na mata”.

A série tem 13 episódios para mostrar como essa trama toda vai se desenrolar. Como a polícia vai chegar em Edu (se é que ele é mesmo o serial killer, é sempre bom enfatizar isso), quais são as suas motivações para chegar no criminoso, e como será a conclusão de tudo isso.

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O ponto positivo de Dupla Identidade é a sua proposta geral de oferecer uma produção com uma estética bem cuidada, um roteiro que torne a produção minimamente amarrada, e que estimule o telespectador a acompanhar todas as semanas uma trama que, pela perspectiva de quem está vendo, já sabe quem, o que e quando. É como uma testemunha ocular dos eventos do criminoso. A corrida contra o tempo para evitar que novos crimes aconteçam, e principalmente, os reais motivos para que o psicopata saia brincando de açougueiro com as mulheres são os convites de Glória Perez para você assistir a trama.

Porém, o piloto apresenta alguns problemas. A impressão que dá é que, para não deixar o interesse do telespectador médio se esvair de vez, Glória Perez deixou alguns plots bem escancarados para que o telespectador conclua sozinho o que está acontecendo. Se Edu é mesmo o serial killer (como parece), ele tem uma motivação que vai além de matar. E isso fica bem claro em pelo menos duas cenas do piloto. Alguns podem se decepcionar se essa solução óbvia for apresentada no final da série, e é por isso que eu insisto que a produção pode apresentar um grande plot twist na sua conclusão, o que pode ser um grande acerto – se bem planejado -, ou um desastre completo – se for uma saída absurda.

O elenco agrada, apesar de não imaginar nem nos meus mais loucos sonhos (movidos por Coca-Cola e bomba de chocolate) ver Luana Piovani como uma psicóloga forense. Por outro lado, eu sempre penso que “essa é uma história de ficção”, e abstraio esse cenário da minha cabeça, assistindo a série sem maiores problemas.

Esteticamente, Dupla Identidade tem uma produção impecável. Excelente fotografia, com planos de câmera que facilmente identificamos nos dramas norte-americanos modernos. Talvez a trama precisa melhorar justamente na proposta do roteiro, pelos motivos que já citei um pouco antes.

Não dá pra dizer que Dupla Identidade será um sucesso ou fracasso. Recomendo que aqueles que gostam de procedurais ou dramas policiais que confira ao menos o primeiro episódio. Pode não cair no gosto de todo mundo, mas ao menos não será o fiasco que foi O Rebu, cujo final pecou por escolher uma das saídas mais óbvias para o assassino (ou melhor assassina) da trama. Na pior das hipóteses, já sabemos quem é o serial killer da vez na série de Glória Perez. Só precisamos acompanhar como ele é pego, e o que acontece com todos os envolvidos no final da série.