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Demorou, mas chegou. Como precisei viajar nessa semana a trabalho (e o SpinOff não me dá essa grana toda… ainda), fiquei devendo as minhas primeiras impressões sobre uma das estreias mais esperadas da temporada. Dracula fará dobradinha com Grimm nas sextas da NBC, e diante de tantas burradas de Bob Greenblatt, parece que ele tem mais um acerto nessa temporada.

E, antes que você me corrija: não, é Dracula sem acento mesmo, pois estamos nos referindo a forma britânica de escrever o nome do personagem e da série, ok?

O personagem central da série não poderia ser outro: Dracula. Ou Vlad Tepes (Jonathan Rhys Meyers), que desperta de um sono de séculos com a ajuda do sangue de um pobre coitado. Como a sua raça (os vampiros) é perseguida por uma ordem de assassinos religiosos/malucos por natureza, ele decide seguir com o seu plano de contra-ataque. Para isso, fixa residência em Londres, usa a identidade de Alexander Grayson, um norte-americano que quer investir em formas revolucionárias de eletricidade, e atrai o holofote de todos

De todos, inclusive de Mina Murray (Jessica De Gouw), que no passado (ou em uma vida passada), foi um dos amores do nosso amigo vampiro (que possui vida eterna). Mina tem a sensação de déjà vu em relação ao Alexander, que tem plena certeza que já se envolveu com ela. Porém, entre os dois, tem o marido (a.k.a. futuro corno) Jonathan Harker (Oliver Jackson-Cohen), um ganancioso jornalista, que pelo desejo de ascensão na aristocracia britânica, começa a pegar no pé de Alexander, para descobrir os segredos de sua tecnologia de eletricidade magnética e os seus interesses em implantá-la no Reino Unido.

Dracu… ops, desculpe… Alexander tem como confidente leal o seu servo Renfield (Nonso Anozie), que com o avançar dos acontecimentos, questiona cada vez mais as atitudes do seu mentor. Entre um lanchino aqui e uma distração sexual ali, Alexan… ops, agora sim… Dracula precisa avançar nos seus planos de derrotar os seus inimigos. Aliás, inimigos esses que podem estar muito mais próximos do que se imagina, uma vez que a pessoa que o despertou do seu sono foi ninguém menos que Abraham Van Helsing (Thomas Kretschumann). Quais são os interesses em Van Helsing em despertar Dracula? Esse é apenas um dos mistérios que teremos que descobrir ao longo da temporada.

A série é uma repaginação da clássica história de Bram Stoker, escrita em 1897. Logo, existe a grande possibilidade da série não seguir os mesmos destinos da obra literária, criando acontecimentos completamente diferentes. O que é algo bem legal, pois é uma nova história que é apresentada. Tudo bem, as chances dos fãs de Dracula não gostarem dessa releitura também são enormes, mas não vamos pensar nisso pelo menos nesses primeiros episódios.

Eu confesso que estava com muita preguiça em ver o piloto de Dracula. Sei lá, eu já não gosto muito de séries de época, e os promos todos indicavam que eu iria dormir durante o piloto. Porém, para a minha surpresa, o primeiro episódio da série é bom. Bom, quero dizer, eu me mantive acordado e gostei de quase tudo o que eu vi. Logo, foi bom diante da perspectiva que eu criei.

Falando sério, o piloto da série não decepciona. Apresenta a história, seus personagens e suas motivações com competência, e é isso o que importa em um piloto de série. A produção também não escorrega nos efeitos especiais, e a ambientação está muito bem feita. Tudo bem que algumas coisas pareceram um pouco forçadas (por exemplo, a discussão sobre “guerra de patentes” de tecnologia em uma época onde as pessoas não sabiam direito o quanto isso é importante no futuro, e a luta no telhado no final do episódio), mas nem isso desabona o piloto de Dracula.

Como um todo, os diálogos apresentados e as situações propostas apresentam a qualidade necessária para chamar a audiência para o segundo episódio. E mesmo com um Jonathan Rhys Myers um tanto quanto esquisitão na sua atuação. Afinal de contas, ele é o Dracula, oras! Tem que ser meio esquisito mesmo.

No final das contas, para quem gosta desse tipo de série, eu recomendo que veja ao menos o piloto. Acho que a NBC fez um trabalho bem competente, ainda mais se compararmos com as demais séries da fall season 2013. Se não gostar, pode abandonar sem muitas culpas no coração. Também temos que considerar que não é todo mundo que gosta de séries de época e/ou de vampiros.