Dr. Ken

Dr. Ken, a comédia do professor chinês maluco de Community, estreou na ABC.

Não que eu estivesse esperando por essa comédia, mas posso dizer que tinha muita gente curiosa para ver Dr. Ken, série protagonizada por Ken Jeong, muito conhecido do público pela série de filmes “Se Beber Não Case” e pela comédia “Community”. A curiosidade vem muito mais do fato de ser ele, e não a desconhecida Cristela Alonzo (por exemplo). Ken é um rosto conhecido mundialmente, e tem muita gente que gosta do tipo de humor dele. Então, uma comédia com ele como protagonista naturalmente resultaria em “muita gente curiosa”.

E foi mais ou menos isso o que aconteceu. Mas vamos primeiro falar do que a série se trata.

Dr. Ken é 100% centrada no Dr. Ken Park (Ken Jeong), um médico que passa pela crise da meia idade – e outras crises por tabela. Não que a vida dele seja um desastre, mas ele está chegando em uma fase da vida onde ele precisa lidar com o fato que os filhos estão crescendo, e que ele precisa balancear o seu compromisso de ser um pai presente e incentivador no desenvolvimento social e emocional das crianças, com a forte vontade de ver essas crianças amordaçadas por fita adesiva.

Ken é casado com a Dra. Allison Park (Suzy Nakamura), que é parte do ponto de equilíbrio de sua vida. Não apenas porque ela é a sua mulher, mas também porque ela é terapeuta. Isso impede que Ken tome decisões absurdas e sem sentido… por algum tempo. Quando ela percebe o mesmo que Ken, entende que o marido tem parte da razão em se preocupar com o fato da filha mais velha buscar asas.

A série basicamente vai mostrar como Ken vai lidar com esse novo momento da sua vida e dos filhos. Como esse casal vai se meter em encrencas pelo bem estar das crianças. E como essas crianças vão dar um baile nesses pais, apenas porque eles não querem perder o controle sobre eles. Controle esse quem, em alguns aspectos, eles já não tinham.

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O que dizer de Dr. Ken? Que era o piloto que eu esperava.

Não, amigos. Não estou dizendo que esse piloto é bom. Na verdade, ele é bem fraquinho. Não chega a ser algo insosso, mas não é exatamente aquela comédia que você vai se escangalhar de rir, caso você seja um telespectador um pouco mais exigente. Desligando bem o cérebro, o piloto é suportável, mas no modo “passa raspando de ano”.

Por outro lado, não dá para culpar Dr. Ken por ser exatamente a comédia que eu esperava que fosse, ainda mais quando é protagonizada pelo Ken Jeong. Boa parte das piadas são previsíveis, e a maior parte do humor da série fica por conta de Ken Jeong. E olha que o restante do elenco não é ruim (Dave Foley, Suzy Nakamura, Tisha Campbell-Martin, Albert Tsai…). Mas… convenhamos: sem o Ken Jeong e o seu humor físico/estereotipado, não haveria motivos para essa série existir, de tão comum que é.

Mesmo assim, acho que Dr. Ken pode funcionar, pelo simples fato de ser mais uma comédia familiar na ABC, exibida em uma noite de sexta-feira, onde o canal conseguiu consolidar uma alternativa interessante com Last Man Standing, mas não se estabeleceu com as últimas duas tentativas de comédia para o horário (Malibu Country e Cristela). O que pode fazer tudo ficar diferente é justamente o tipo de humor que Ken Jeong faz, algo que (pelo visto) agrada muita gente nos Estados Unidos.

E o mais importante: comparado com Cristela, Dr. Ken é irremediavelmente melhor (uma missão nada complicada, convenhamos). É mais leve, mais acessível, mas bobinha e menos ofensiva. Não tem piadas com asiáticos ou minorias. Só aí temos uma evolução consideravelmente interessante.

Enfim, Dr. Ken pode não se tornar um megahit na ABC, mas não será surpresa se, apesar de não ser essa Coca-Cola toda, conseguir uma renovação para uma segunda temporada. Já que o canal não comprou a ideia da vovó que chupa pirulito de maconha, ao que tudo indica, ver como uma família asiática com um pai caricata tenta encontrar uma harmonia doméstica com os filhos crescendo tende a ser aquilo que o telespectador do canal do alfabeto quer ver.