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E lá vamos nós encarar mais um piloto de Tim Kring. Dig estreou no canal USA Network, e depois de longos 65 minutos, eu concluo que as séries desse moço responsável por Heroes e Touch seguem uma espécie de “padrão” para serem aprovadas pelo canal: ter uma trilha sonora bacana, alguém falando em língua estrangeira, uma criança com algum poder especial/anormalidade, e um mistério. É a ‘fórmula do sucesso’, convenhamos.

Dig acompanha os agentes do FBI Peter Connelly e Lynn Monahan (Jason Isaacs e Anne Heche), que vivem as tensões de suas respectivas responsabilidades e traumas pessoais, além da tensão sexual que envolve os dois, que já se pegaram no passado. Os dois estão em Jerusalém para investigar crimes internacionais, até que uma jovem escavadora norte-americana é morta no local, e Peter decide investigar o caso, por motivos pessoas (sim, pois sem isso não temos série).

No meio dessa investigação, Peter, Lynn e os investigadores locais vão descobrir uma grande conspiração (e como não?) com décadas de execução, envolvendo entre outras coisas uma criança ‘sobrenatural’, que já está morta porque fugiu e pisou no asfalto, se tornando assim impura (ele só podia, no máximo, pisar na grama… vai entender…). Sem falar nos problemas da própria investigação sobre o assassinato da moça, os profissionais do FBI terão que enfrentar a própria tensão local, por conta das diferenças culturais e religiosas típicas dessa região do planeta.

Dig - Season 1

Olha, foi uma luta assistir ao piloto de Dig. Diferente de Heroes e Touch, que são pilotos realmente muito bons (pena que nos dois casos temos histórias que afundaram pateticamente), o piloto dos escavadores da terra proibida é sonolento e arrastado. Ok, já estou preparado para aquelas pessoas que vão defender a série porque ‘ela tem um mistério’. Mas só isso também.

Por outro lado, também me preparo para o festival de absurdos e inconsistências de roteiro que Tim Kring apresenta já no piloto. Gente que entra em área que não é qualquer um que pode entrar, só para nadar pelado – detalhe: EM JERUSALÉM, onde um espirro mais estranho pode ser considerada uma ofensa religiosa. Um agente do FBI que usa a desculpinha safada do ‘esqueci meu óculos, vou lá buscar, vai na frente’ para poder investigar por conta, e o ‘parceiro’ (pois os dois não se bicam) pensa: ‘beleza, vou acreditar nele mesmo não indo com a fuça dele’.

E esses são apenas dois exemplos que pontuo, apenas para ilustrar o meu ponto. Não tenho mais muita paciência para esse tipo de série (investigação, crime da temporada, conspiração, moleque bizarro que fica preso no quarto o tempo todo, protagonista com alma atormentada pelo passado negro, que alivia tal passado na base do sexo…), e acho que Dig não acrescenta nada de muito especial para quem já viu outras produções do gênero.

Talvez o cenário novo e inusitado possa atrair algumas pessoas. Mas como meus créditos com Tim Kring já foram gastos, não vou continuar. A vida é curta demais para lá na frente passar raiva com um roteirista que já me entregou como solução de temporada um vilão que acumulava poderes da mesma forma que acumulava cards do Pokémon sendo derrotado por uma faquinha de pão Pullman empunhada por um japonês que gritava ‘YATTA’ por uma temporada inteira.

Não vou dizer que Dig será aprovada ou renovada. Para mim, não vai fazer diferença alguma, pois não vou ver.

Conselho de amigo? Não se apegue. Não vale a pena.