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Não era para se chamar ‘Hell’s Kitchen Brasil’? Enfim, para maior compreensão do seu público-alvo, o nome foi alterado para Cozinha Sob Pressão, que estreou pelo SBT nesse final de semana. A versão nacional de um dos programas que tornou Gordon Ramsay mundialmente famoso no universo de programas culinários não estreia no horário nobre, não será exibido em um dia lá muito favorável, mas chega para fazer a alegria daqueles que querem assistir algo um pouco diferente no final da tarde de sábado.

Originalmente, o programa teria como apresentador/chef principal/carrasco oficial Jefferson Rueda, que foi substituído por Carlos Bertolazzi, economista que se tornou um dos chefs de maior destaque na cidade de São Paulo. Como não temos o referencial de Jefferson na função, não podemos afirmar se a mudança foi positiva ou negativa. Apenas afirmamos que é uma escolha considerada até repentina por muitos. Mais uma ‘surtada’ do Silvio Santos? Deixo a pergunta no ar.

São 14 participantes que são profissionais da área de gastronomia, das mais diferentes origens e segmentos. Temos desde chefs que já tiveram os seus restaurantes que, por algum motivo, foram fechados, até donos de food trucks, sub-chefs e banqueteiras. Eles foram divididos em duas equipes (homens e mulheres), e terão que passar por provas das mais diferentes complexidades, tudo sob a pressão do exigente chef Carlos, que em muitas oportunidades vai berrar com os infelizes durante o processo de confecção do prato.

O prêmio? R$ 100 mil reais em barras de ouro (que, como diria o velho Senor Abravanel, ‘valem mais do que dinheiro’).

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Particularmente, acho impossível não fazer comparações com o Hell’s Kitchen original, e principalmente, com o Gordon Ramsay, que é um verdadeiro déspota com os participantes do programa. Nesse aspecto, perto de Ramsay, Bertolazzi é um monge budista. Ele é exigente, mas não é a mesma coisa que Gordon, que beira os limites da psicologia humana para cobrar que um filé seja bem feito. Vamos ver nos próximos episódios se isso muda. Caso contrário, vamos ter que nos acostumar com isso.

Sobre o piloto, a impressão que fica sobre Cozinha Sob Pressão é que ele deixa um pouco a desejar. A edição não ajuda muito, o ritmo do programa acaba deixando o telespectador um pouco mais disperso, e esses aspectos precisam ser corrigidos com certa urgência. A produção do programa está boa, apesar de alguns estranharem o formato da cozinha – esse aspecto particularmente me agrada, pois colocar um pouco de identidade no programa não é necessariamente um problema, dependendo do nível de interferência.

Outro ponto positivo é a preocupação do SBT em identificar para o grande público certos termos culinários que só são de conhecimento dos profissionais. Isso aproxima o programa do telespectador, que por outro lado pode aprender alguma coisa com aquilo que está assistindo.

Por fim, Cozinha Sob Pressão pode melhorar. Empolga menos que MasterChef Brasil (Band), mas isso não quer dizer que o programa não é algo assistível. Acho que a margem de melhora é relativamente grande, e espero que o programa corrija os problemas apresentados. Talvez o grande problema está na escolha de exibir o reality no péssimo horário do final da tarde de sábado, onde a audiência tradicionalmente não é a das melhores. Em compensação, quem ficar em casa tem ao menos uma opção diferente do que assistir a novela das seis na Rede Globo.