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A Fox estreou ontem (02) mais uma produção nacional. Contos do Edgar é feita pela produtora O2 Filmes, e segue assim o objetivo da PL 116 (alô, Ancine!), que propõe uma maior oferta de produções nacionais no horário nobre da TV a cabo brasileira. O projeto foi divulgado em abril de 2012, e depois de 12 meses de preparativos, passarei nesse post as primeiras impressões sobre o que vi da série.

Mas antes, tenho que dizer: Edgar Allan Poe é o cara que está no hype. Afinal de contas, é o “muso inspirador” do serial killer “mais foda” do Universo, Joe Carroll (e isso até eu seria, se tivesse contra mim o FBI mais incompetente do Universo, mas isso é assunto para outro post), sendo um dos elementos recorrentes para a narrativa de The Following. E agora, temos uma produção nacional que também recorre ao gênio literário de Baltimore. Isso também gera um efeito positivo, pois vai apresentar para um grupo novo de espectadores um dos melhores escritores de todos os tempos.

Contos do Edgar tem como ideia principal inserir as histórias de Edgar Allan Poe em um cenário tipicamente brasileiro, com pessoas comuns, simples, que podem ser encontradas em qualquer canto do país. O toque especial da série é que até mesmo os contos de Edgar (Poe) podem se confundir com as pitorescas e sinistras histórias que muitos dos nossos pais e avós contam. Não falo só das histórias do “tempo do onça”, mas aqueles absurdos do tipo “soube daquela mulher que matou o marido e derreteu ele no tacho para fazer sabão?” (acredite, isso aconteceu aqui na minha cidade).

No caso da produção da Fox, a série tem como narrador o Edgar (Marcus de Andrade), um paulistano comum, cheio de problemas, com a esposa desaparecida, vivendo de favor na casa do seu amigo de infância, Fortunato (Danilo Grangheia). Os dois trabalham na dedetizadora DDT Nunca Mais, e para passar o tempo, Edgar conta as histórias inusitadas de amigos e pessoas que passam pelo seu caminho. Porém, Edgar desconfia que Fortunato está relacionado de alguma forma com o desaparecimento de sua mulher, e se aproxima do amigo justamente para descobrir isso e, se constatado, se vingar.

A série vai ter apenas cinco episódios exibidos na primeira temporada. Os demais quatro episódios vão ao ar na Fox no mês de maio. Em cada episódio, uma história será narrada por Edgar, e os contos serão ilustrados na tela. Um ponto positivo de Contos do Edgar é que, apesar de contar com pequenos toques de humor (negro, por sinal), ela se propõe a ser um drama relativamente sombrio, mas sem ser aquela série que é “sinistra de propósito”. O resultado estético da produção é, mais uma vez, excelente (a Fox do Brasil tem esse ponto positivo mesmo) e as bizarras histórias são apresentadas sem galhofa, o que é algo a ser aplaudido. Afinal de contas, alguém obcecado pelos dentes podres da amada é um argumento que poderia ser trabalhado de forma muito mais “modo Zorra Total”, e não é isso que queremos aqui.

Também quero destacar o cuidado com a escolha do elenco desse piloto. Cícero (Marcelo de Barros) convence no ser que tem fascínio por dentes estragados, e Gaby Amarantos vai muito bem no papel de Berê, cantora do bar e musa de Cícero (mesmo com os seus problemas dentários), protagonista do primeiro episódio da série.

Contos do Edgar é uma série bem feita. Mais uma vez, temos um exemplo de que, quando se quer fazer algo bem feito, é possível. É só querer. Se ela será uma série interessante? Só o tempo vai dizer. Como tem apenas cinco episódios, vou acompanhar para ver no que vai dar. Mas entendo que você deve ver pelo menos o piloto, só para saber qual é a da série. Vai que cai no seu gosto, não é mesmo?