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O que o ser humano é capaz de fazer em um momento de crise? E quando a crise é uma epidemia sem precedentes?

A CW decidiu entrar nessa onda de minisséries (ou a forma como os canais encontraram de não se comprometer a longo prazo caso uma série não tenha o desempenho que eles esperam), e estreou Containment, drama que mostra como é o comportamento humano diante de uma epidemia. A série é baseada na produção belga Cordon, e por si não apresenta nada de inovador na sua proposta. Ao menos é minimamente estruturada na sua narrativa, o que é uma boa notícia.

Containment acontece integralmente em Atlanta, cidade onde está o CDC (sim, amigos… aquele mesmo CDC que não serviu para nada em The Walking Dead…), que é um dos locais onde os eventos acontecerão com maior frequência. Vemos aqui o início e o desenvolvimento de um vírus mortal e altamente contagioso, e como as autoridades competentes vão agir para tentar impedir não só a evolução do vírus como também um cenário de caos que naturalmente acontece em uma situação como essa.

Ao mesmo tempo, a série mostra como a população, nos seus mais diversos níveis sociais e segmentos, vai reagir diante dessa epidemia. O componente emocional é decisivo nessas horas, e até mesmo aqueles que teoricamente estariam mais preparados para enfrentar a situação podem sucumbir. Por outro lado, outros tantos precisam ser mentalmente fortes para proteger vidas inocentes. Mas a maioria vai se desesperar (reação mais que natural), e veremos um cenário de caos que dificilmente será controlado.

É claro que o fator conspiração está presente em Containment. A população não pode saber de tudo, pois se souber teremos uma histeria coletiva (que vai acontecer, mesmo porque não é possível esconder a verdade de todo mundo por muito tempo), ao mesmo tempo que algumas autoridades envolvidas sabem um pouco mais do que deveriam, e escondem isso. Como essas informações serão gerenciadas, e como alguns deles vão tirar o seu da reta… você vai ter que assistir para descobrir.

Containment tem um piloto bem consistente. É um assunto que anda no limite sobre vários aspectos, principalmente na coerência das soluções tomadas. Mas pelo menos nesse piloto, a série não correu muitos riscos. Apresentou os principais personagens centrais, suas aspirações, o cenário geral da trama, e convidou a audiência para o que está por vir ao longo dos episódios. Levando em conta que essa série é uma adaptação, é de se imaginar que dificilmente essa linha narrativa se perda ao longo da temporada. A não ser que os roteiristas norte-americanos resolvam fazer gracinhas.

Também foi interessante ver parte das relações interpessoais de alguns personagens, que visam trabalhar paralelamente com o cenário geral de caos que a série propõe. Algo parecido com o que vimos nas duas primeiras temporadas de The Walking Dead. Minha torcida é para que ao menos eles saibam equilibrar tudo na hora do clímax dessa epidemia, e que não avacalhe tudo como a série de Robert Kirkman fez.

O grande desafio de Containment é apresentar uma história onde a audiência se importe com seus personagens, seus dramas particulares e conflitos éticos, e em como eles se inserem no contexto do todo. Pelo menos nesse começo, a série até se esforça para fazer com que tudo trabalhe junto. O roteiro não mostra barrigadas graves (algo que, de novo, eles terão que conviver com um risco constante), e o elenco parece trabalhar bem. O piloto pode parecer um pouco arrastado e até estranho para alguns membros da “família CW”, mas passa na minha média de corte.

Enfim, Containment pode ser a pedida para quem gosta do assunto. Conspirações, epidemia, histeria coletiva, amores mal resolvidos e algumas cusparadas de sangue/fluídos contaminados para deixar todo mundo esperto. Pode valer a pena.