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Eu aproveitei o embalo da semana onde assisti mais pilotos de séries em espanhol na minha vida, e fui conferir Club de Cuervos, dramédia mexicana da Netflix que mostra as excentricidades que podem envolver os relacionamentos familiares, usando o futebol como plano de fundo. Além disso, essa série estreou em 7 de agosto na plataforma, e já estava na hora de escrever sobre ela (se bem que 7 de agosto eu estava chegando na minha nova cidade, então… enfim, é o que temos para hoje).

Club de Cuervos mostra o relacionamento de dois irmãos com perfis completamente diferentes. Salvador “Chava” Iglesias Jr. é o mais novo, um playboy imbecil e totalmente irresponsável, filho do segundo casamento de Salvador Iglesias, dono do time de futebol dos Cuervos de Nuevo Toledo. A cidade praticamente cresceu em torno do time, mas quem disse que Chava liga pra isso. Enquanto ele estiver festejando, bebendo e cheirando drogas nos peitos de mulheres, está tudo certo.

Já Isabel Iglesias é a mais velha, filha do primeiro casamento, e é quem realmente pensa no gerenciamento do time. Altamente responsável, foi quem ajudou o pai a transformar o time em um dos mais bem sucedidos do México. Seria uma escolha natural como futura presidente do time, mas deu o ‘azar’ de ser uma mulher – e do seu irmão ser considerado um ‘amuleto da sorte’ para o pai, já que Chava nasceu no dia em que os Cuervos subiram para a primeira divisão.

O destino de Chava e Isabel se torna um só a partir do momento em que Salvador, o pai, morreu. Os irmãos entram em uma disputa direta pelo gerenciamento do clube, onde Chava é eleito presidente, mas Isabel não vai deixar barato. No meio disso tudo, veremos interesses pessoais e muitas trapalhadas dos dois. Com o objetivo comum de evitar que o time deixe a cidade.

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Club de Cuervos é bem intencionada e até divertida. Tem algumas pitadas do que chamo de ‘humor tonto’, com falas um tanto quanto imbecis vindas de um personagem imbecil (Chava), sem falar na cena da morte de Salvador, que tem um humor negro muito cretino. Se bem que nem todo o alívio cômico fica por conta do irmão de Isabel. A série tem algumas tiradas espalhadas por alguns personagens pontuais.

Talvez pelo fato de ter assistido Narcos minutos antes, eu tive a sensação de Club de Cuervos ser uma série um pouco mais arrastada. Mas essa pode ser apenas uma impressão. O piloto consegue caminhar bem na sua ideia de contar a história proposta. Não é uma série sobre futebol, e o esporte só está como pano de fundo para tratar basicamente do relacionamento de dois irmãos com personalidades diferentes. E essa é toda a graça da série.

A gente sabe como dois irmãos podem ser diferentes, com personalidades diferentes, modos de viver a vida, percepções, hábitos, costumes e decisões diferentes. E sabemos como isso pode ser engraçado em alguns momentos. Mesmo diante da tragédia pessoal, que é o ponto de partida da série. É claro que Chava e Isabel vão ter que lidar com a barra de vida em conviver com a periguete que o pai engravidou, e correr o risco de ter a herança dividida com ela e o filho bastardo.

Mas no final das contas, isso não importa muito. A primeira preocupação da dupla é não deixar o time dos Cuervos sair da cidade, pois apesar de serem bem diferentes, eles contam com a mesma percepção e compreensão de que aquele é o maior legado do pai. E que manter isso vivo é a missão dos dois. E isso só é possível quando se relaciona em família.

Mas é claro que um irmão não quer perder para outro. E um vai atacar o outro, como corvos brigando.

No final das contas, Club de Cuervos é mais um acerto da Netflix. Pode ser um acerto ‘discreto’ para muitos de nós, já que temos séries bem melhores lançadas em 2015 pela plataforma. Mesmo assim, não tiro a sua validade. É bom ver produções latino-americanas vingarem, apresentando resultados satisfatórios.