A ABC quer ir na esteira da CBS (Hawaii Five-0), e aposta em um remake para turbinar a audiência. A missão foi dada à Charlie’s Angels, que tem produção executiva de Drew Barrymore. Bom, quem odiou os filmes As Panteras e As Panteras: Detonando (abraço, @vanamedeiros), pode parar o texto por aqui. Se você gostou, segue abaixo nossas impressões.

Eu esperava algo pior do piloto de Charlie’s Angels. Imaginava aqueles inexplicáveis voos com chutinho no ar em pedalada, saltos inacreditáveis sobre um portão, ou alguma delas pilotando um F1 (e se chocando com outro F1… e um deles sair voando…). Enfim, imaginava todas as invenções aplicadas por Barrymore nos filmes, que geraram a revolta e indignação em muitos (e boas risadas para mim, que via tudo aquilo e falava “ah, não… é sério isso?”. O piloto da série é bem aceitável nesse aspecto.

A história mostra um novo começo para “as anjas de Charlie”, com o ingresso de uma nova integrante no time de agentes especiais. Tem até algumas lições morais, como “vocês são anjas da justiça, e não anjas da vingança”. Tá, meio brega, mas é uma verdade que você pode guardar no bloco de notas para o seu celular, e mostrar para a gerente do seu banco quando precisar de um empréstimo. Uma coisa interessante: a “anja” Gloria foi a que mais me irritou no piloto, e com 10 minutos de episódio, desejei mentalmente a morte dela. E não é que aconteceu? (será que ainda adianta jogar na Mega Sena?).

Algumas referências diretas à série original foram mostradas, como o endereço da Townsed Industries, que tem o número 1976, ano de estreia da versão original. As cenas de luta foram mais “pé no chão”, e esse foi o ponto mais positivo do piloto. Tudo bem, me incomodou profundamente mais uma cena de rajada de balas em um barco, ninguém conferindo o corpo, “blá blá blá”… mas, se não tiver esses furos de roteiro, não tem história. Outra coisa que me incomodou foi ver um Bosley com ar latino e cara de paisagem (sério, o cara tem a mesma cara para tudo). Mas aí o problema é comigo: afinal, fica difícil superar Bill Murray no papel.

No final das contas, o piloto de Charlie’s Angels tem até um saldo positivo, diante dos desastres que já vimos nessa temporada. Veja bem, leitor: eu não disse que era bom, que era ótimo ou espetacular (mesmo porque eu não sou louco – ainda). Mas é um piloto aceitável, dentro da sua proposta de ser uma típica action series. Quem, por exemplo, acha Nikita o máximo (abraço, @erika_ribeiro), tem muitas chances de gostar de Charlie’s Angels. Vai ser renovada com facilidade. Só não sei se vai ser tão bem sucedida como Hawaii Five-0 é. Particularmente, acredito que não. Mas, se conseguir ser renovada, Drew Barrymore já está no lucro.

P.S.: menção honrosa para Carlos Bernard, que provou mais uma vez que “uma vez Tony Almeida, sempre Tony Almeida”.