Brain-Dead-CBS

A série poderia acontecer em Brasília, sem maiores problemas.

Robert e Michelle King, criadores de The Good Wife, apresentam BrainDead, drama (quase dramédia) com toque de terror/ficção da CBS para a summer season, onde mostra a história de políticos que são infectados por insetos que chegam do espaço, através de um meteorito que caiu na Rússia. Ou como também gosto de tratar como “a teoria mais aceita para que Donald Trump fale tanta m*rda durante a campanha para presidência dos Estados Unidos”.

Antes de mais nada, não devemos levar a sério os acontecimentos da série e sua linha narrativa, que tropeça na galhofa e no absurdo o tempo todo. Porém, a série é menos bizarra do que eu imaginava, e eu ainda não sei se isso é uma coisa boa ou ruim. Talvez eu descubra até o final desse post.

 

Do que se trata?

“Pilot” – on BRAINBEAD,Tuesday, March 22 (10:00-11:00 PM, ET/PT) on the CBS Television Network. Photo: Jeff Neumann/CBS ©2016 CBS Broadcasting, Inc. All Rights Reserved

BrainDead se centra inicialmente em Laurel Healy, uma documentarista frustrada, que acaba aceitando ser assistente do seu pai em Washington, D.C., para conseguir os US$ 200 mil que precisa para concluir o projeto cinematográfico de sua vida. Por sua vez, ela é obrigada a trabalhar para o seu irmão, o senador sênior democrata Luke Healy, um cara que aparentemente não quer nada com nada. Até aí, nada de anormal.

Enquanto isso, um meteoro (ou meteorito, porque se fosse um meteoro já teriam chamado o Bruce Willis) cai na Rússia. Como os russos não contam com recursos para lidar com esse problema vindo do espaço, o corpo celeste é mandado para os Estados Unidos. E como esse pequeno artefato precisa ser mantido em segredo, ele é transportado em um simples navio comercial, desprovido de qualquer tipo de segurança reforçada para evitar que materiais que nem conhecemos entrem em contato com seres humanos.

Esses “pequenos deslizes” são necessários. Sem isso, não temos série, não é mesmo?

O que ninguém sabe é que o meteorito é uma espécie de “cavalo de Troia alienígena”, abrigando uma imensa colônia de formigas alienígenas que conseguem escapar e infectar todo mundo que vê pela frente. A esposa do engenheiro que estudava o corpo celeste avisa Laurel que algo está estranho com o seu marido (como, por exemplo, parar de beber… algo anormal para uma pessoa adulta que bebe pacas). Laurel descobre que seu irmão Luke está envolvido na migração do meteorito para a América.

Nesse meio tempo, o congresso reduz o orçamento do governo antes do meteorito se tornar oficialmente uma propriedade do próprio governo dos Estados Unidos. Para evitar que isso aconteça, Laurel arma um encontro entre Luke e o rival, o senador republicano Red Wheatus, e um acordo acontece. Porém, Red é infectado, e obviamente muda de ideia, persuadindo outros senadores a seguirem sua posição.

Então, Laurel decide investigar o que está causando esse comportamento estranho dos políticos e de seus assessores. E tudo isso ao som de The Cars, uma banda da década de 1980 que só ficou conhecida por roubar de Michael Jackson o prêmio de melhor videoclipe do ano no primeiro MTV VIideo Music Awards da história.

 

Vale a pena?

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Como disse, BrainDead não é para ser levada a sério. É quase um plot no estilo “Marte Ataca”, se a gente parar para pensar de forma mais fria. Mesmo assim, se pegarmos por uma perspectiva mais metafórica, a série faz uma grande crítica ao cenário político atual dos Estados Unidos, onde temos candidatos do nível de Donald Trump, que fala um arsenal de bobagens que só seriam explicados se o topetudo tivesse sido possuído por alienígenas.

Aliás, uma das cenas que deixa isso bem claro é quando Red Wheatus (Tony Shalhoub) retira o seu cérebro pela orelha, se tornando um “cabeça oca”. Na verdade, não um cabeça oca: as formigas alienígenas controlam o cara. Mas o seu cérebro não mais comanda seus raciocínios. E muitos políticos daqui e de lá se tornaram isso: um bando de acéfalos.

Por conta disso, BrainDead chega em um momento certo para a grade de programação. As eleições presidenciais nos Estados Unidos acontecem em novembro, e muitos entendem que nem Hillary Clinton e muito menos Donald Trump são as escolhas ideais para governarem o país. Mas que os norte-americanos serão obrigados a escolherem entre um e outro. Pensando nisso, a série é bem sacada e chega à grade da CBS com um timing perfeito.

É inegável que eles vão apostar no bizarro para conquistar seu público. Diferente de The Good Wife que era 100% séria, BrainDead pode ir para a galhofa com muita facilidade. Mas é uma galhofa consistente. Pode não agradar aos fãs da série da boa esposa, mas ao menos mostra um pouco de versatilidade da dupla King.

 

Recomendada?

De certo modo, sim. Que mal há em ver esse piloto? Não acho que serão 43 minutos absolutamente perdidos. Você pode não comprar a ideia, o que é algo absolutamente compreensível. Por outro lado, se você entender que essa é uma série do Syfy dentro da CBS, já está com meio caminho andado para se divertir.