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Toda família tem seus segredos. Alguns deles são tão escabrosos e malucos, que precisam ser destruídos com um barco. Brincadeiras à parte, a Netflix tem Bloodline como nova série dramática, que foge do novelesco oferecido por The Slap (NBC), com uma boa dose de mistério que sempre consegue prender uma boa parte da audiência. E sem cair no ‘modo canastra de ser’.

Bloodline é centrada na família Rayburn. John, segundo filho dos patriarcas Robert e Sally, é o detetive que aparentemente vai ser o centro das atenções da temporada. Até porque é ele que tem as maiores atribuições dentro e fora da família. Precisa fazer o meio de campo entre os pais e os demais irmãos, investigar o assassinato de uma menor de idade cujo corpo foi encontrado boiando no meio do pântano, e cuidar para que ninguém descubra os seus grandes podres do passado.

John é (teoricamente) o contraponto de Danny, irmão mais velho e com um presente nebuloso. Não tem eira nem beira, consome substâncias ilícitas, pega mulheres que ele mal sabe o nome, e antes da reunião familiar que marca os eventos do início da série, ele se envolve em algumas coisas um tanto quanto erradas. John e Danny compartilham do mesmo podre do passado, o que faz com que eventualmente um defenda o outro em algumas situações.

Meg é a filha conciliadora. Talvez por conta de sua profissão de advogada. Se dá melhor com Kevin, o filho mais novo da família. Porém, os dois não concordam com um ponto: Danny. O irmão mais velho quer voltar para a casa dos pais para ‘ajudá-los’ nos negócios da família, mas por conta do seu presente bagaceira, Kevin não acha ele a escolha mais indicada, mas Meg entende que ele merece mais uma chance. O voto de minerva é de John, que concorda com a volta do irmão.

Mas rapidamente vemos que isso não vai dar certo. Mesmo. Ainda mais com um corpo boiando no meio de um lago.

Bloodline tem um bom piloto. Pode não parecer tão ágil quanto alguns desejam, mas não podemos negar que a Netflix fez um bom trabalho, tanto na sua produção como na estrutura da série. É uma série adulta, com uma linguagem pesada (sério, palavrões aos montes em vários diálogos), tratando de temas pesados, mas sempre pensando em uma importante questão: a unidade familiar é forte o suficiente para esconder os segredos mais devastadores?

O enredo de Bloodline é bem feito, e o piloto da série cumpre com o seu papel de envolver o telespectador na trama. Ou ao menos de despertar o interesse para seguir em frente. O roteiro ajuda, os plot twists são bem pensados – e cumprem com o papel de prender o telespectador para continuar na história -, sem falar em um elenco que está alinhado, com boas atuações. Nada muito destacado ou exagerado, mas com consistência.

Por fim, a produção chama a atenção. Várias cenas de externas, em um local paradisíaco… um local perfeito para crimes e intrigas familiares. Ok, sem piadas aqui: a Netflix não poupou dinheiro para inserir a série em uma atmosfera que ajudasse na proposta da narrativa da sua trama. Ou pelo menos que tivesse o mínimo de chroma key possível.

Por fim, Bloodline vale a pena. Mais uma vez a Netflix apresenta um conteúdo de qualidade. Coloca The Slap no chinelo (algo que não é muito difícil, convenhamos), e é mais um motivo (e bom) para que você continue a pagar regularmente a sua mensalidade do serviço de streaming. Até porque temos que continuar mandando dinheiro para eles nos oferecerem mais séries desse tipo.

Afinal, é muito melhor bancar a Netflix do que ver estreias no nível de Powers, One Big Happy e derivadas.