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Apesar de Vince Gilligan não concordar muito com a ideia, o canal AMC finalmente estreou Better Call Saul, spinoff/prequel de Breaking Bad, centrado no personagem Saul Goodman/James McGill, interpretado por Bob Odenkirk. A série já está na história da televisão por alcançar na sua estreia a maior audiência de uma série estreante na história da TV a cabo dos EUA. Porém, com inevitáveis comparações com a série que contou a história dos últimos anos de vida de Walter White, algumas críticas foram emitidas. Bom, vamos por partes, como diria o Jack.

Better Call Saul começa aonde Saul ainda é Jimmy McGill, um advogado mequetrefe, caricata e fracassado. Atolado em dívidas, tem um sub-escritório escondido em um canto qualquer, e pega os casos mais perdidos do mundo. E quando vence, ganha apenas US$ 700 (advogados de renome recebem muito mais que ele). Em resumo: é um perdedor completo.

Bem diferente do irmão dele, Chuck, que era sócio em um grande escritório de advocacia, mas que foi forçado a deixar a sociedade por conta de sérios problemas mentais. Uma das batalhas de James nesse momento é fazer com que a justiça seja feita com o seu irmão, fazendo com que o mesmo receba o que é justo por ter contribuído para o crescimento daquele escritório como proprietário, e não como um mero integrante que pode receber uma pequena parte de um acordo financeiro.

De modo geral, Jimmy odeia a sua própria existência. Não suporta as injustiças feitas com ele e o seu irmão. Não aceita a forma como ele mesmo se vê diante do mundo, onde todos estão se dando bem, ou querem se dar bem pelas suas costas. Ele quer promover a virada da sua vida, e entende que a melhor forma de fazer isso é dando um golpe com dois skatistas/trambiqueiros semi-profissionais.

Jimmy traça o ‘plano perfeito’, simulando um acidente de trânsito para levantar uma grana pelo acidente, seja por indenização ou por conta do seguro do pobre coitado que será pego pelo golpe. O que ele não contava é que esse ‘pequeno golpe’ seria o início da virada de sua vida. Mas para pior. Muito pior.

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Better Call Saul, definitivamente, não é Breaking Bad, apesar de todas as referências técnicas da série estarem presentes nessa nova produção. Fotografia, direção de arte, longas cenas de diálogos com apenas duas pessoas e a estrutura narrativa são muito similares. Porém, não são as mesmas séries. A nova série nunca quis ser uma continuação da antiga, e isso ficou muito claro da parte de Vince Gilligan e Peter Gould antes da produção estrear.

Logo, se você vai assistir Better Call Saul na esperança de ver a mesma densidade de Breaking Bad, pode esquecer. A série do Saul se propõe a ser um pouco mais leve, apesar do seu piloto não apresentar na maior parte do tempo o prometido ‘humor negro’ que a série teria na sua primeira apresentação (se bem que eu ri alto com a última cena do piloto, e quem viu Breaking Bad inteira certamente vai se surpreender com esse plot twist).

A impressão que tive é que colocar Jimmy como uma pessoa cheia de problemas explica um pouco de como ele será no futuro, ao mesmo tempo que traz um pouco da sobriedade que o universo de Breaking Bad pede. Mesmo assim, as séries são bem diferentes, começam bem diferentes, e já nesse primeiro episódio indica para caminhos bem diferentes. Enquanto Walter White, apesar de ter que lidar com as situações que apareciam pela frente – e que, em muitos casos esses eventos fugiam do controle -, James McGill vai entrar em um trem desgovernado de situações onde ele não terá o menor controle da maioria delas, tendo que seguir o fluxo dos acontecimentos. Ou tendo que se virar para sobreviver.

Acho que Better Call Saul pode render sim. Não creio que vai ter a mesma audiência da estreia daqui para frente, mas podemos confiar na dupla Gilligan/Gould para contar uma boa história. Pelo menos nesse piloto, você terá aquele desejo de ver o que acontece a seguir (por conta do plot twist do final do episódio). Só resta saber se a audiência (independente de ter visto Breaking Bad ou não) vai comprar a história do advogado atrapalhado e fracassado.

A boa notícia é que eles não apostam na galhofa logo de cara. Pelo contrário. Apesar dos possíveis eventos bizarros e irônicos.