Betrayal

Traição. A palavra remete à prática de você enganar alguém que confia em você, nas mais diversas esferas. Nesse caso, a traição é também dos executivos da ABC com o seu telespectador, por terem aprovado essa série. Na verdade, Betrayal é apenas aquela série que está no canal errado, no tempo errado, com o elenco errado, contando a história errada.

A série mostra a história da fotógrafa Hannah Ware (Sara Hanley), casada, com filho, mas desiludida da vida, pois o marido, o advogado Drew Hayward (Chris Johnson) só pensa na sua vida profissional e no seu futuro ambicioso. Nessas idas e vindas da vida, Hannah conhece Jack Mcallister (Stuart Townsed), outro advogado de uma poderosa família, os Karsten, que é envolvida em crimes de corrupção e assassinatos de pessoas que sabiam demais.

Deixando a família Karsten de lado um pouco, Hannah acaba se envolvendo com Jack. Jack começa a perseguir Hannah em tudo quanto é lugar, até que ele convence ela que não é um simples perseguidor psicopata, e que ele estaria disposto a ficar com ela por entender que “ela é tudo para ele”. Hannah, que por sua vez estava cada vez mais deixada de lado pelo marido, acaba cedendo, e os dois vão para a pegação. Mesmo! Por duas vezes!

Acontece que esse envolvimento com Jack pode ser o fim de Hannah como ser humano dito viva. O mote para a temporada é saber quem atirou na nossa protagonista: se foi o marido traído, o amante revoltado, ou até mesmo o poderoso Thatcher Karsten (James Cromwell), o bandidão malvadão da série.

Antes de qualquer coisa, é importante dizer que Betrayal correspondeu às minhas expectativas, ou seja, é uma série fraca. Os personagens não são carismáticos, a trama é fraca como um todo, e mesmo na sua básica concepção de trama (pois é um estilo novelão), ela não consegue chamar a atenção na sua proposta. O início do caso entre Hannah e Jack acontece por um motivo relativamente torpe (tudo bem, não vemos em nenhum momento o que os dois passaram com os seus respectivos cônjuges), e até mesmo o argumento da morte do dedo duro do patriarca Karsten é algo mal apresentado.

Mas o problema maior de Betrayal é que ela está no lugar errado. Ok, sabemos que a ABC agora só aposta em duas frentes – séries de fantasia e séries no estilo novela -, mas eu imagino uma série como essa dando certo no Lifetime, ainda mais se pensarmos no tema “traição”. A própria ABC tem uma série de midseason sobre isso – Mistresses, onde as amantes são as protagonistas. Logo, não precisava de uma segunda série contando mais ou menos a mesma coisa.

De qualquer forma, já começou com uma audiência baixa nos Estados Unidos, e vai ter que remar muito para sobreviver. Um conselho do velho amigo careca que escreve esse post: não se apeguem muito. Aliás, não vale o apego. Betrayal não oferece o suficiente para você se importar com o drama da mulher que tem a sua pegação com o amante interrompida por causa de uma ligação do marido no celular, e fica preocupada porque o filho que gosta da história do livro da girafinha.