Believe-NBC

E lá vamos nós ver mais um piloto de J.J. Abrams na tela… sempre com um pé atrás. Mas fique tranquilo: o piloto de Believe não é ruim. É um pouco confuso, mas não é de todo desinteressante. Sem falar que, dessa vez, ele não está sozinho nessa: Alfonso Cuarón (do filme “Gravidade”) assina o projeto ao lado dele. A NBC mais uma vez aposta em um gênero de série que nos últimos anos não consegue pegar no canal (só Revolution deu certo das últimas tentativas), mas dessa vez, talvez, com alguma sorte, eles podem alcançar o sucesso dessa vez.

A série mostra a história de Bo (Johnny Sequyah), uma menina muito especial, com habilidades incríveis que ainda serão descobertas por ela mesmo e pelos demais, que querem protegê-la e/ou explorá-la. Bo divide sua vida entre gostar de um sapo de pelúcia e ser protegida por Winter (Delroy Lindo), líder de uma equipe de agentes independentes dedicados a deixar a menina bem longe de Skouras (Kyle MacLachlan), que por sua vez, é líder de uma organização poderosa, que deseja explorar os poderes da menina.

Entre os dois grupos, entra Tate (Jake McLaughlin), um suposto assassino que foi injustamente condenado ao corredor da morte, que é recrutado por Winter para cuidar de Bo de forma efetiva, desde alimentar e colocar a criança pra dormir na hora certa, até defender a garota de um ataque de uma assassina profissional em um hospital. Tate é uma alma amargurada, perturbada e “suja”, no entendimento de Bo.

Basicamente, a principal habilidade de Bo é que ela pode sentir a alma das pessoas, captando assim que elas pensam e sentem. Bo consegue enxergar o interior de cada um com quem ela se relaciona, e consegue ver as conexões que unem diferentes pessoas, para um bem futuro comum. Agora, Tate e Bo vão seguir uma jornada de descobrimento mútuo, libertação e proteção pessoal recíproca e constante.

O piloto é bom. Meio sonolento no começo, mas engrena do meio para o fim. Tem alguns clichês que incomodam bastante (a própria ideia da garotinha com poderes especiais, sendo protegida pelo assassino acusado injustamente, para que os dois se descubram grandes amigos ao longo do tempo, por exemplo), mas nada que comprometa o objetivo principal do piloto: despertar no telespectador o interesse real em acompanhar a jornada dos dois.

Aliás, o plot-twist no final do piloto é mais um clichê que você diz “gente, isso é óbvio”. Mesmo assim, não compromete. Talvez a única coisa que realmente me incomodou (mas isso porque viola a lógica da natureza) é a mulher cercada por pombos voando ao seu redor por mais de um minuto, e ao final, ela saiu limpinha, sem nenhum dejeto fecal das aves. Absurdo.

E sim… vou ignorar que toda série do J.J. tem uma borboleta em alguma cena, em algum momento.

No final das contas, acho que vale a pena conferir o piloto de Believe. Entendo que fãs de Fringe possam se sentir atraídos por ser uma série que tem a assinatura de J.J. Abrams do primeiro ao último minuto do piloto. Sem falar que a série conta com Alfonso Cuarón como um dos seus responsáveis, e como esse é o nome do momento por conta do Oscar, certamente vai atrair mais um punhado de telespectadores.

É cedo para dizer se vai vingar ou não. O máximo que posso dizer que “a NBC segue tentando”…