A segunda grande aposta da CW para a temporada é Beauty and the Beast, remake da série de mesmo nome lançada pela CBS em 1987. A primeira versão durou apenas três temporadas, e já foi considerada um fracasso na época, jamais figurando entre as 20 séries mais vistas dos Estados Unidos. Porém, com a audiência que tinha na época, seria líder de audiência hoje. Não esperamos que o remake da CW alcance índices de 10 milhões de média, mas pelo menos em sua estreia, ela deu uma audiência que o canal não vê todos os dias. Mas… será que engrena? Na minha humilde opinião, não.

Algumas peças foram mexidas da série original (protagonizada por Linda Hamilton) para a versão 2012. Por exemplo, na série de 1987, a protagonista era uma advogada, enquanto que na versão da CW, é uma detetive. As duas séries se passam em Nova York, mas a principal diferença entre as duas séries é que na versão original existia todo um “mundo escondido” do lado das feras, que viviam escondidas dos humanos. É, talvez foi por causa disso que a versão da CBS não deu certo: nem na década de 1980, quando as pessoas compravam melhor esse tipo de premissa, esse detalhe foi considerado crível.

A Beauty and the Beast da CW conta a história da detetive Catherine Chandler (Kristin Kreuk), que no passado, teve sua mãe assassinada por membros de uma organização secreta do exército norte-americano, que desenvolveu um programa de super soldados geneticamente modificados. O programa começou após o ataque terrorista ao World Trade Center, em 2001, e envolveu os soldados que entraram em combate no Afeganistão. Incluindo o Dr. Vincent Keller (Jay Ryan), que é a nossa “fera”, em questão. Em uma de suas investigações, Catherine encontra vestígios de Vincent, que é dado como morto, mas só para o mundo, uma vez que o cara está vivinho da silva, e se aproveita dos seus momentos de raiva para salvar pessoas em perigo.

Muito bem, com 2.78 milhões de audiência na sua estreia, Beauty and the Beast tem apenas um ponto positivo (se é que podemos chamar de positivo, diante do que foi apresentado). A série poderia ser mais galhofa do que prometia. Não estou aqui elogiando o que vi, mas pelo menos no seu piloto, os argumentos não beiraram à cretinice como eu imaginava. Ok, a série tem as suas barrigas típicas da CW, mas eu gostei da cena de luta no metrô, apesar da sua continuidade. Afinal, a detetive caiu nos trilhos do metrô, que normalmente são energizados, não tomou um choque e, ao ver a “fera” sair correndo pelos trilhos, foi atrás, sem se importar se o próximo metrô iria passar… ah, mas se isso não acontecesse, a “fera” não poderia salvar Catherine DE NOVO, e iniciar uma relação mais próxima com a detetive.

O que mais me incomodou no piloto de Beauty and the Beast é que, apesar dele não ser uma porcaria, está bem longe de ser uma boa série. A maior culpa disso, ao meu ver, estão nas interpretações do elenco da série. É inacreditável como a CW, ano após ano, consegue se aperfeiçoar na capacidade de escolher atores que contam com a mesma capacidade de interpretar que uma caixa de papelão, ou que uma penteadeira. Kristin Kreuk está uma verdadeira estátua de cera, Jay Ryan está um pouco melhor, mas é bonito demais para ser uma “beast” (mas, tudo bem… eles precisam se apaixonar uma hora), e o restante do elenco, definitivamente, não ajuda.

A série “grita” CW por todos os poros, tanto no seu enredo, no desenvolvimento da sua trama (nesse caso, no “caso do dia”, que é didático ao ponto para você saber quem matou a vítima assim que o assassino aparece na tela), e com tudo isso, não vai me surpreender que ela consiga sucesso no canal mais “teen” da TV aberta norte-americana. Até porque ninguém dava nada por The Vampire Diaries, e ela está aí, dando audiência.

A diferença é que, honestamente, não sei se há espaço no mundo para uma série com esse nível de argumentação. Não dá para você se conectar aos dramas dos personagens logo de cara, e particularmente, não consegui me importar nem um pouco com a trama principal. Talvez a única história realmente interessante seja justamente o passado de Keller. Será interessante saber mais detalhes sobre quem está por trás desse projeto secreto, que o transformou em uma besta que quando fica raivosa, mata pessoas em segundos. Bom, pelo menos vou acompanhar os fãs da série me contarem isso nos comentários no blog ou Twitter.

Não pretendo acompanhar Beauty and the Beast, e se a CW sempre acaba cancelando alguma série nova a cada temporada, ela entra na briga com Emily Owens para evitar o cancelamento. Arrow consegue ser melhor, e deve se salvar. Resta saber se a audiência da CW vai comprar a ideia de “a Bela e a Fera”, da forma como o canal quer vender. Eu gostar ou desgostar não vai fazer a menor diferença, até porque nem vou perder meu tempo para ver como a série vai continuar. O que importa mesmo é se a série consegue garantir uma audiência de, pelo menos, maios de 1 milhão de espectadores. Se conseguir, se salva. Caso contrário, o facão vai rolar.