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Quem entende um pouco de séries sabe que pode esperar algo um pouco acima da média de nomes como Vince Gilligan (Breaking Bad) e David Shore (House). Porém, como todo mundo tem direito a construir a sua casa em Malibu às custas do dinheiro dos canais abertos norte-americanos, a CBS estreou Battle Creek, uma dramédia de ação genérica, comum… feita para o público da CBS.

Battle Creek mostra a rotina de uma desajustada delegacia de polícia na cidade de Battle Creek, Michigan. O Agente Especial Milton Chamberlain (Josh Duhamel), todo certinho, especialista em todas as tecnologias forense disponíveis, cabelo arrumado, engomadinho e jeito de galã de novela, é transferido para essa delegacia de b*sta, onde o ‘herói local’ é o detetive Russ Agnew (Dean Winters), que é o oposto do perfil de Mit: desarrumado, totalmente intuitivo e sempre propenso a subornar os informantes para obter as informações que necessita.

A combinação dos opostos será a tônica para toda a ação da série, onde a falta de afinidade deve garantir (na teoria, e eu não estou prometendo nada aqui) o alivio cômico da série. Enquanto Mit lança mão de tudo o que ele aprendeu e viveu em missões que iam desde a desmantelar grandes organizações criminosas até jogar golfe com Barack Obama, Russ acha que deve manter o modo ‘tradicional’ de investigação, à moda antiga, e com os métodos mais rudimentares.

Até porque a polícia de Battle Creek mal consegue manter os equipamentos de 10 anos atrás em funcionamento. A falta de recursos é extrema.

A chegada do novo agente faz com que todos se sintam seduzidos pelo seu charme e sofisticação… menos é claro o nosso amigo Russ, um tanto quanto enciumado por ter perdido o status de f*dão da delegacia. Esse é outro elemento de diversão (na teoria) da série.

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Ok… onde estão Vince Gilligan e David Shore nessa série?

Battle Creek é apenas mais um procedural genérico e engraçadalho, sem ser desafiador, ousado ou qualquer coisa que possa afastar o público da CBS da produção. Sim, é possível ver traços dos dois showrunners citados: a fotografia que ajuda a ilustrar o clima e a proposta de cada ambiente, assinatura clara de Gilligan, e o texto recheado de sarcasmos, característica evidente de Shore. Fora isso, mais nada.

É uma série comum, que só deve dar certo porque está na CBS. Se estivesse em qualquer outro canal aberto (qualquer um, não precisa nem ser a NBC), era sinal certo de naufrágio. Não estou dizendo que Battle Creek é uma porcaria, ou deliberadamente ruim. Só estou afirmando que é fraco, previsível, sem sal, e que entra bem no grupo de procedurais genéricos, para que o público da CBS – que adora procedurais – a compre o mais depressa possível.

Nesse aspecto, não é nem o fato que a série decepciona. Battle Creek é o que é. Talvez cause decepções por ser desse jeito, vindo de quem vem. Mesmo assim, entendo que as chances de pegar em cheio os fãs de séries procedurais são enormes. É uma série descompromissada, que pode cair bem como entretenimento para a noite de domingo do norte-americano médio.

Mas se você esperava algo do mesmo nível que Breaking Bad e House… ah, sério que você se iludiu a tal ponto? Pelo amor… deixa Gilligan e Shore ganhar o dinheiro deles às custas da CBS, vai!