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O A&E é mais um canal que decidiu apostar em séries originais de qualidade (e não apenas em reality shows com propostas inusitadas) para conquistar o tão disputado telespectador. E não fez feio com Bates Motel. A história apresentou um piloto simples na assimilação de sua proposta, mas bem feito para oferecer uma boa série. Agora, se vai virar uma boa série, só o tempo vai dizer. Mas é a nossa torcida. Vamos aos detalhes.

Bates Motel é baseada no livro de suspense Psycho, escrito por Robert Bloch, que por sua vez inspirou o clássico filme de sucesso de Alfred Hitchcock, de 1960. Os eventos da série são uma espécie de prequel da história do filme, ou seja, mostra a relação de Norman Bates (Freddie Highmore) com sua mãe, Norma Louise (Vera Farmiga), durante a sua adolescência, a partir do momento que o seu pai morre (ou melhor é assassinado – tudo leva a crer que pela própria esposa), e ele se muda com sua mãe para uma pequena cidade, White Pine Bay, onde Norma compra um motel e tenta reconstruir sua vida.

Não há muito do que dizer sobre a história apresentada pelo piloto. Para quem viu o filme de Hitchcock (veja, é um clássico do suspense), a frase “isso explica tudo” é uma constante. A relação de Norma e Norman é algo realmente doentio. Norma é super protetora em relação ao filho, que já tem 17 anos, e quer ter uma vida minimamente normal, indo para a escola, tendo amigos, namoradas, baladas e derivados. Norma não só quer proteger o filho pelo receio que ele siga o mesmo caminho que ela, mas ao mesmo tempo ela praticamente o vê como o único homem de sua vida. E Norma só confia em Norman para qualquer coisa.

Por outro lado, Norman até tenta ter uma vida normal, ou fazer coisas que qualquer adolescente da sua idade quer fazer. Mas o passado, e principalmente o presente com sua mãe torna o processo algo inviável. E nesse relação conturbada e emocionalmente dependente dos dois, se constrói toda a trama de Bates Motel.

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O piloto de Bates Motel é bom, muito bom. Não é aquele piloto ágil, onde as coisas acontecem o tempo todo, nem com cenas de tensão extrema. Por outro lado, também não é aquele piloto que você fica com sono 15 minutos depois de dar o play. É claro que duas cenas acabam dando a conotação de que “vai dar merda” (o estupro de Norma pelo ex-dono do motel, e a visita do xerife da cidade, Alex Romero – Nestor Carbonell – ao motel de Norma), mas de um modo geral, não é um piloto “pesado”. Tem essas duas cenas fortes, mas existem momentos “meigos”. A cena do quase primeiro beijo de Norman na nova cidade foi uma das melhores do piloto.

Outra coisa que vale ser observada no piloto é a imersão de diferentes ambientes de acordo com o local onde a ação acontece. Enquanto estamos no motel da família Bates, temos a clara sensação que estamos em um cenário da década de 1960, que só se desfaz quando os seus personagens estão fora do motel. Até cheguei a pensar que a série teria o seu tempo narrativo na mesma época que o filme Psicose foi criado. Essa impressão foi desfeita quando vi o primeiro iPhone em cena.

Por fim, recomendamos Bates Motel. Pelo trabalho apresentado no piloto, pela estética visual do piloto, e pela promessa de ser uma série que pode segurar o telespectador com o suspense natural da sua origem (Psicose), e com aquele fator que sempre vai passar pela cabeça quando acontecer alguma coisa na tela: “como eles vão sair dessa?”.

O único pé atrás que devemos ter é que essa é uma série assinada por Carlton Cuse. Sim, amigos… aquele… aquele mesmo que não é o especialista na hora de agradar o público no quesito “dar respostas”. Pior: jogou um festival de respostas esdrúxulas, sem sentido e banais. Até uma rolha ele colocou no meio (entendam como quiser).

De qualquer forma, ele tem mais uma chance de agradar o público dessa vez. É só ele não se perder dentro de uma das premissas mais emblemáticas da história do cinema: “Like Mother, Like Son”.