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Qual é a verdadeira graça do palhaço?

Combinando toques de humor físico com uma pegada mais psicológica, Baskets chega ao FX tentando ser uma comédia consolidada, conceituada e diferenciada. A colisão dos dois mundos de Louis C.K. e Zach Galifianakis resulta em uma série que fala de esperanças e sonhos, dos dramas do dia a dia, do ofício de uma pessoa em fazer rir mesmo tendo uma vida bem sem graça, e das idas e vindas que a vida pode tomar, dependendo das escolhas que vamos fazer.

Zach Galifianakis é Chip Baskets, personagem central da nossa história. Ele sempre sonhou em ser um palhaço profissional, e investiu muito tempo e dinheiro para isso. A ponto de ir até a França para estudar em uma escola dedicada ao assunto. Apesar da barreira idiomática atrapalhar um pouco a sua vida e o seu aprendizado, Chip não só conseguiu se formar, mas também se casou com Penelope (Sabina Sciubba), que só se tornou sua esposa para ter um único objetivo na vida: poder viver nos Estados Unidos.

Porém, Chip é um derrotado, um fracassado completo. Não conseguiu ter o prestígio que sempre sonhou como um palhaço profissional (ou porque ele não aprendeu direito, ou porque não lhe deram o devido valor), e a única coisa que sobrou para ele fazer que chega perto do seu sonho é ser um palhaço de rodeio local. Não é um dos empregos mais humilhantes do mundo, mas ele se sente tão sem valor, que ele preferia estar morto a fazer aquilo.

Na verdade, ele só não se sente morto porque ele continua perseguindo o seu sonho de ser um palhaço de renome.A única pessoa nesse mundo que parece se importar com ele é Martha Brooks (Martha Kelly), uma vez que é a única amiga sincera que Chip tem, além de ser a única a suportar o seu temperamento rude e agressivo.

A série vai mostrar os altos de baixos (mais baixos do que altos) de Chip na busca do seu sonho de ser um grande palhaço. Até isso acontecer, ele vai levar várias chifradas. Dos touros, das vacas e da vida.

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Baskets não é uma série ruim. Ela talvez não seja uma série tão fácil de engolir. Em alguns momentos o piloto apresenta um tom mais melancólico, o que é necessário para ilustrar bem o sentimento de frustração de Chip com os rumos que sua vida tomou. Aliás, a série fatalmente fala das próprias frustrações e dificuldades que tanto Louis C.K. como Zach Galifianakis viveram antes de alcançar o sucesso.

Sabe, existe sempre aquela metáfora que o palhaço é um ser triste que tem como principal missão nesse mundo fazer as pessoas sorrirem. Baskets trata exatamente disso, de forma bem enfática. Chip é um cara amargurado, sem graça, desiludido da vida. E todos os dias ele precisa colocar a maquiagem para encarar os touros e fazer as pessoas darem risada de suas palhaçadas. Isso fica evidente ao longo do piloto.

Por outro lado, não tiro o mérito do piloto em tentar equilibrar um tom mais sério com a cara de retardado que o Galifianakis faz em alguns momentos. Na verdade, até que surpreende sua atuação. Ele está mais “pessoa física” do que em todos os papeis que eu já vi ele fazer (fico feliz por ele não tentar fazer o cara do “Se Beber Não Case”), ao mesmo tempo que o seu personagem principal não requer tantas habilidades de interpretação para que ele seja um frustrado convincente.

Aliás, Galifianakis faz dois papeis em Baskets, interpretando o irmão gêmeo não idêntico de Chip, Dale (e aqui temos uma piada com os nomes: Chip and Dale nada mais são do que os esquilos Tico e Teco).

Talvez algumas pessoas podem torcer o nariz para o fato de Baskets ter o nome de Louis C.K. envolvido em sua produção e desenvolvimento. Eu já disse por diversas vezes no SpinOff que eu não gosto dele, mas nem por isso deixo de reconhecer que o piloto dessa série até que é passável. Não estou aqui dizendo que é incrível e maravilhoso. Não. Eu mesmo não gostei muito do que vi, e não pretendo continuar. Por outro lado, diante de vários desastres de pilotos de comédia que eu vi nos últimos meses, ao menos podemos dizer que eles foram bem intencionados nessa tentativa.

Enfim, Baskets não é aquela comédia para todo mundo. Não é a comédia que você vai se escangalhar de rir. É algo mais introspectivo do que explicitamente cômico. Quem sabe pode ser a sua praia, amigo leitor? Não descartaria logo de cara. Assista e tire suas conclusões.