Demorou, mas chegou. Já que estamos no final de semana, precisamos publicar esse review antes do próximo podcast ir ao ar, e precisamos nos reposicionar no pagerank do Google, aqui estamos nós, em plena tarde de domingo, para escrever as nossas primeiras impressões sobre o novo drama do canal Cinemax nos Estados Unidos, Banshee.

Banshee é a nova investida televisiva do nosso amigo Alan Ball (Six Feet Under, True Blood), que conta com a ajuda dos roteiristas Jonathan Trooper e David Schickler. Basicamente, a trama conta a história do ex-condenado Paul Daniels, mas que vai assumir a identidade de Lucas Hood (Anthony Star), que não é um bandidão qualquer. Ele é um especialista em artes marciais, bad-ass no nível extremo, com sede de sangue e justiça. No passado (1997), Daniels era agente federal, mas se deixou ser subornado pelo Mr. Rabbit (Ben Cross), ucraniano radicado nos Estados Unidos, que ganha a vida sendo o chefe do crime organizado em Nova York. Lucas/Paul foi pego e condenado pelos seus crimes contra os interesses do governo.

Quinze anos depois, Lucas volta para Banshee, cidade onde toda a ação acontece, para buscar vingança. No meio do caminho, ele encontra o seu grande amor, Anastasia (Ivana Millcevic), filha de Rabbit, que hoje se chama Carrie, e é casada com um herói da guerra do golfo. Mas penso que isso não será empecilho para Lucas consiga os seus objetivos, mesmo que seja à força. Para complementar o seu novo projeto de vida, Paul, que é procurado por Rabbit por uma traição (tentar dar golpes grandes passando o ucraniano para trás), acaba acidentalmente se deparando com a possibilidade de ser o novo xerife de Banshee, uma vez que o futuro xerife foi morto “por acidente”. Ah, o nome do xerife? Lucas Hood. E agora, tudo se encaixa, já que o condenado será o novo xerife da cidade. Que, por sinal, é uma terra sem lei.

A trama de Banshee é boa. Instigante, bem interessante. Adulta. E bizarra, como é a marca registrada das últimas produções de Alan Ball. Tem o pessoal asiático que de dia conduzem um salão de cabeleireiros ao som de ícones da música do segmento GLS, mas de noite, são hackers astutos e habilidosos. Algumas cenas incomodam, como uma conclusão de uma briga de bar com uma garrafa de ketchup na boca, ou um ônibus desgovernado seguindo Lucas em um rastro de destruição (mas seguindo certinho). Mas no conjunto geral, a trama é bem interessante. Feita para chamar atenção pela proposta de “terra sem lei” e personagens com um passado obscuro e cheio de sangue nas mãos, Banshee também apresenta as suas cenas que faz com que o SpinOff TV Series recomenda ao futuro espectador que não assista a série com a sua tia-avó do lado (afinal, estamos falando do Cinemax, que não alivia nas cenas de sexo e violência).

Programada para dez episódios, Banshee é aquela série para quem gosta de uma trama um pouco mais elaborada, linguagem adulta, cenas um pouco mais explícitas e uma boa dose de brigas na tela. Aliás, o Cinemax mandou bem também na forma de como mostrar a série ao seu público, e qual é o público-alvo que eles pretendem alcançar. Nos Estados Unidos, eles lançaram uma HQ virtual, que conta alguns dos acontecimentos ocorridos antes do início da série de TV, que ilustram melhor por que chegamos naquele ponto. E, esteticamente, Banshee lembra muito uma HQ no seu formato final. Para quem curte esse tipo de mídia, a série acaba sendo uma boa pedida, e tem boas chances de agradar.

Enfim, acho que vale a pena ver o piloto, e até mesmo continuar a seguir a série por mais alguns episódios. Acho que os fatores apresentados acima, e até mesmo o nome de Alan Ball podem credenciar Banshee como uma boa aposta para essa temporada de séries. Bom, é claro que as chances de Alan Ball criar o “samba do crioulo doido” nas próximas temporadas são grandes (quem assistiu True Blood até aqui sabe do que estou falando), mas aposto que, nesse caso em específico, a Cinemax vai oferecer uma maior liberdade criativa para Ball do que a HBO oferece hoje na série de vampiros. De qualquer forma, só o tempo vai dizer qual Alan Ball vamos ver nesse drama da terra sem lei. Pelo menos nesse primeiro episódio, vemos algo positivo e que merece ser acompanhado de perto pelo menos por mais alguns episódios.

E ninguém se cobriu de sangue nesse primeiro episódio… ainda bem!