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A NBC sofre de uma grande crise de identidade para aprovar séries de comédia. Não consegue acertar em boas comédias (ou cancela a grande maioria das séries novas), e tem uma grade de programação que não ajuda muito (já que toma porrada de tudo quanto é lado pela concorrência). Aí, pra ‘ajudar’ ainda mais, a NBC estreia essa ‘maravilha, coisa linda de ver e de viver, uma gracinha’ #SaudadesHebe chamada Bad Judge.

Eu não vou perder muito tempo nessa premissa, pois tudo pode ser resumido em um único parágrafo. Bad Judge mostra a vida da juíza Rebecca Wright (Kate Walsh), que tem uma vida totalmente desajustado, um comportamento bagaceira, bebendo todas e pegando todo mundo… e mesmo assim, consegue ser juíza da corte de Los Angeles, cuidando de pequenos casos como cidadãos que praticam a bigamia e adolescentes delinquentes. No meio do caminho de sua vida, Robby Shoemaker, um garoto de oito anos de idade, cheio de problemas na escola e na vida pessoal, se torna uma espécie de ‘freio moral’ de Rebecca, pois ao ajudá-lo, ela se força a repensar os seus procedimentos, assim como a sua vida como um todo.

E aqui temos tudo o que Bad Judge pode oferecer para você. Ou pelo menos aquilo que a NBC quer entregar para você.

A boa notícia de Bad Judge (se é que podemos dizer isso) é que a série mostra o quão Kate Walsh é uma boa atriz. Esqueça completamente a Addison Montgomery que era tão foda em Seattle (Grey’s Anatomy), e tão patética na Califórnia (Private Practice). Bom, quero dizer, a Rebecca que ela interpreta na nova comédia da NBC também é patética, mas está mais para o lado da bagaceira. E ela consegue fazer esse papel com uma competência exemplar (aliás, desconfiamos que o personagem foi criado baseado na própria vida de Kate, que é bem bagaceira como pessoa física). Logo, parabéns para a atriz por ter a capacidade de fazer personagens completamente diferentes, convencendo o telespectador nos dois casos.

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Fora isso, o piloto de Bad Judge é muito ruim. Não me fez rir de nada, tem um texto pobre, uma premissa que não vai para lugar nenhum, e que vai apostar no ‘humor chão’ para conseguir audiência. E não vai dar certo. Nada contra esse tipo de humor (sim, eu assisto coisas vergonhosas), mas nesse caso, sem falar na concorrência – que vai oferecer opções muito melhores no mesmo horário -, se pararmos para pensar, a NBC tenta fazer o seu Two Anda a Half Men, mas com uma mulher como protagonista, e que vive sozinha, e não com uma irmã perdedora. Do resto, a ideia geral é praticamente a mesma.

Bad Judge peca pela falta de originalidade, por flertar com o mau gosto em diversas oportunidades ao longo do piloto, chegando ao ponto da própria protagonista lembrar que ela não é a pessoa mais indicada para resolver os problemas de uma criança de oito anos de idade. Sem falar que os chatos e desocupados pais do PTC (Parents Television Council) vão pegar no pé da NBC pela série apresentar cenas onde o menor de idade discute abertamente com a juíza sobre os atributos físicos e sexuais de sua professora.

Vamos resumir? Bad Judge nasceu para ser cancelada. Ok, já ouço no fundo pessoas defendendo a série. É seu direito, mas não mudo minha opinião de classificá-la como uma das piores estreias da fall season 2014-2015, e pelos fatores citados nesse post, já é uma série que nasce morta. Se você preza pelo bom senso na sua vida, pode passar bem longe desse piloto. Eu já me submeti ao sacrifício por você em ver essa porcaria.

Por fim, fica ao meu apelo: volta pra Seattle, Dra. Addison! Pelo amor de Shonda!