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É a HBO apostando no independente. Aliás, mais independente, impossível.

Animals é a nova animação da HBO, que é uma produção independente, criada por Phil Matarese e Mike Luciano. Os dois primeiros episódios foram apresentados no Sundance Film Festival em janeiro de 2015, e o pessoal do canal do “It’s Not TV” achou que seria legal fazer a série alcançar um grande público, encomendando uma temporada completa da série para os caras.

Não tem muito o que explicar sobre o plot de Animals. A cada episódio, teremos uma espécie vivendo em comunidade como foco principal, mostrando como são os seus hábitos de relacionamento, o seu consumo de cultura pop, o seu comportamento social e os seus conflitos cotidianos. Tudo com um óbvio ar sarcástico sobre tudo o que acontece ao seu redor. São diálogos rápidos e improvisados em boa parte dos casos, mostrando situações aleatórias a partir de um plot aparentemente comum.

É uma típica animação para adultos, com temas adultos, diálogos adultos… logo, nada de deixar o seu filho de 8 anos de idade assistir essa série. A não ser que você se encarregue em explicar para ele depois tudo o que aconteceu. E aí a responsabilidade é sua, ok?

A série tem uma pegada urbana bem interessante, e isso fica refletido justamente na agilidade dos seus diálogos. Apesar de lidar com temas adultos, ela é mais leve do que se imagina, onde o grande chamariz da produção está na situação em si, e não na qualidade técnica da animação. Até porque fazer um episódio de Animals é algo muito fácil e barato: basicamente é um desenho mal feito com uma animação tosca. Mas isso não importa: South Park começou assim e virou um sucesso no mundo todo. Logo, por que não repetir essa fórmula?

Pelo menos o piloto de Animals não cansa. É um episódio que passa relativamente rápido, com algumas situações interessantes, como por exemplo o desencontro de ideias entre o rato que quer fazer um filho a todo custo e a ratinha que só queria dar o fora nele, indo ao banheiro com uma amiga. Ou os conselhos que os amigos dão para o cara finalmente perder a virgindade. As situações são bem estruturadas para ao menos ter um final de episódio que fuja do convencional, oferecendo uma perspectiva diferente daquilo que pode ser um episódio de série de animação.

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Particularmente, eu gostei do piloto de Animals, mas confesso que há muito pouco a se dizer sobre o piloto dessa animação da HBO. Para quem torce o nariz para séries desse gênero, é melhor nem tentar ver esse piloto. Agora se você gosta de comédia de situação e um texto mais rápido com piadas mais orgânicas e menos planejadas, pode ser que essa série caia no seu gosto.

Vamos ver se ela vinga na HBO. Não é sempre que vemos o canal apostando nas produções independentes. Lembra um pouco os bons tempos da MTV, que passava animações nos finais de noite do extinto canal musical (se bem que ali a gente devia desconfiar sobre o que estava por vir…).