Angel from Hell

Uma anja do bem… bem louca, por sinal.

A CBS tenta consolidar comédias single-camera, tentando aos poucos se desvincular das tradicionais e quase extintas sitcoms. Nessa temporada, já apresentou ao mundo Life in Pieces, e a segunda aposta nesse sentido é Angel From Hell, comédia protagonizada por Jane Lynch, que também produz a série. Ok, o canal e o nome envolvido pode resultar em chances maiores de sucesso para essa série. Porém, a pergunta que não quer calar é: será que vale?

Angel From Hell conta a história de amizade entre Allison Fuller (Maggie Lawson), uma dermatologista que gosta de ser uma mulher multifacetada, multitarefa e muito perfeccionista. Ela quer ter a sua vida sob total controle, mas nem sempre isso é possível, e não é exatamente isso o que acontece. Ao longo dos anos, com altos e baixos, ela esconde suas frustrações e perdas nesse perfeccionismo. E ela precisa de alguém para mudar um pouco as coisas no seu mundo, para deixar a sua vida algo um pouco mais interessante e feliz.

Esse alguém é Amy (Jane Lynch), mulher de personalidade excêntrica, eclética e… bom, maluca mesmo. Ela começa a aparecer na vida da Allison em qualquer lugar, sem um bom motivo aparente. Até que um dia, Amy revela para Allison que é o seu anjo da guarda, acompanhando sua existência desde a infância. É claro que Allison acredita que Amy é uma velha hippie bêbada e louca, e tenta se afastar dela. Mas com o passar do tempo e dos acontecimentos, Allison percebe que Amy está falando a verdade.

A partir daí, Amy e Allison começam uma excêntrica amizade, onde a primeira será a protegida, e a segunda vai proteger… bom, na medida do possível.

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Angel From Hell é uma comédia leve, simples e direta. Não tem um plot dos mais complexos, não exige muita concentração do telespectador para compreender a sua trama, e apela mais para as piadas rápidas de um texto ágil (algo que Jane Lynch sempre se saiu muito bem) com o gancho emocional de “todo mundo precisa de alguém para nos proteger”. Entendo que, com tais elementos, não é difícil ver uma série dessas ao menos ter a simpatia de boa parte da audiência, mesmo em um canal como a CBS, que só agora parece se interessar por esse tipo de série.

Uma preocupação que tive ao saber que Jane Lynch iria protagonizar uma série era se ela faria uma “Sue Sylvester 2.0”. A resposta é um retumbante NÃO.

Felizmente, vemos como Jane Lynch é uma atriz talentosa. A gente sabe que é a Jane que conhecemos de longa data – mesmo porque ela tende a fazer mais ou menos a mesma pessoa sempre -. Porém, não temos uma Sue Sylvester disfarçada de anja. Temos uma mulher sarcástica, que vê a vida com bom humor, mas amorosa com sua protegida. Mesmo que, para ela, a palavra “amor” seja traduzida em colocar Allison em alguma encrenca de tempos em tempos.

Em linhas gerais, o piloto de Angel From Hell é consistente como um todo. É um bom texto, com um elenco bem equilibrado e argumentos para as situações até aceitáveis. Algumas soluções adotadas pelos roteiristas foram bem sacadas, e para quem estiver com um bom humor elevado na hora de conferir o piloto, as chamas de se divertir com esse episódio são boas.

Se Angel From Hell vai vingar na CBS, não sabemos. O potencial existe. Afinal de contas, para não dar certo nesse canal, tem que ser algo muito ruim (abraço, We Are Men), e não é o caso dessa série. Pode não ser a nova comédia de sua vida, mas a execução de um plot relativamente simples entregou um resultado até positivo. Se eu tivesse mais tempo livre, certamente eu acompanharia a série por mais alguns episódios.