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Pode fazer o check-in. Mas ninguém garante que você vai fazer o check-out.

Ano após ano, a dupla Ryan Murphy e Brad Falchuck oferecem ao mundo mais uma seção de bizarrices e perversidades emocionais/sexuais em forma de série de TV. A franquia American Horror Story ao longo dos anos chamou a atenção no começo por se propor em ser a série de terror sem limites, e nas últimas temporadas, só se tornou a série excêntrica, com um roteiro mal feito, onde apelar para o inusitado e perturbador à esmo era a palavra de ordem.

American Horror Story: Hotel é a quinta “temporada” dessa limited series, que apesar de ser questionada por muitos telespectadores, ainda é aclamada por boa parte da crítica especializada. Mesmo assim, a temporada tem o desafio de reconquistar os mais céticos, manter o interesse dos críticos, e se superar na distribuição das tramas, já que esta é a primeira temporada sem a sua “abelha rainha”: Jessica Lange (mas ainda acho que vai ter algum cartaz dessa mulher em tamanho natural em algum canto, só para ela ser indicada ao Emmy Awards).

American Horror Story: Hotel é a segunda temporada da franquia a se passar integralmente em Los Angeles, depois da primeira temporada (American Horror Story: Murder House). Parece incrível que só agora a dupla Murphy e Brad tenham escolhido novamente a cidade como centro dos acontecimentos bizarros. Mesmo porque poucas cidades são tão perfeitas para o bizarro e o inusitado como Los Angeles, também conhecida como “a vila dos malucos”. Enfim, isso é apenas um mero detalhe a ser observado.

Os eventos de American Horror Story: Hotel acontecem no Hotel Crortez, alvo do detetive de homicídios John Lowe (Wes Bentley), que vai investigar um bizarro caso de um cidadão morto/vivo encontrado dentro de um colchão de um dos quartos. O que John não sabe é que o hotel como um todo é um objeto das mais variadas bizarrices, indo de um camareiro transformista sinistro, que responde pelo sugestivo nome de Liz Taylor (Denis O’Hare), a gerente Iris (Kathy Bates), mais sinistra ainda, e os donos do hotel, que são os piores de todos. Mas falamos deles daqui a pouco.

Além disso, o hotel também guarda vários segredos. Muitos deles, sangrentos. O que vai interessar à John é que o hotel também esconde o destino de seu filho desaparecido. É claro que a sequência inacreditável de assassinatos, eventos estranhos e absurdos vão atrapalhar a investigação. Mas se tudo fosse perfeito, não haveria por que ter série.

A dona do hotel é a “Condessa” Elizabeth (Lady Gaga), a sinistrona tarada por sangue e por sexo. Se diverte com orgias sangrentas, e tem pleno controle sobre tudo o que acontece no hotel, inclusive os assassinatos. Tem como amante Donovan (Matt Bomer), filho de Iris, que foi levado ao hotel no passado por Sally (Sarah Paulson), uma drogada que foi “morta” por Iris, por conta de ter levado o seu filho para o mundo de perdição. Porém, Iris e Sally estão condenadas a ficarem no hotel por tempo indeterminado.

Um novo elemento entra na trama: Will Drake (Cheyenne Jackson) quer comprar o hotel, e certamente vai medir forças com a “Condessa”. Pena que ele não sabe os poderes que Elizabeth tem. Inclusive o de usar o filho de Will na sua trama perversa.

 

No meio de isso tudo, é importante dizer que, até agora, quem entrou no hotel, não saiu vivo de lá. Pelo menos duas ameaças podem tirar a vida dos hóspedes: um serial killer que baseia suas mortes nos ensinamentos bíblicos, e um maluco que tem uma broca no lugar do pinto. E confesso que a cena envolvendo esse cara foi a única onde realmente eu gargalhei de rir ao longo de todo o piloto.

Sim, eu sei… foi perverso perverso da minha parte.

American Horror Story: Hotel é previsível. Há muito tempo que essa franquia abandonou a proposta de terror autêntica para ser a série do bizarro, mostrando as perversões sexuais de Ryan Murphy e Brad Falchuck a troco de nada. E o piloto dessa temporada é basicamente isso. Você não fica com medo de nada. Você não fica assustado com nada. Absolutamente nada traz medo de verdade. É apenas o sexo bizarro, com várias referências, e nada mais.

Entendam, crianças. Não é apenas a discussão se é bom ou ruim. É a discussão da série se desconectar completamente de sua proposta. Nas duas primeiras temporadas (principalmente em Asylum, que considero a melhor), o elemento “medo” foi apresentado como principal, com vários toques de humor. Sim, o bizarro estava lá, mas a ideia central do terror estava muito viva.

Em American Horror Story: Coven, a coisa começou a mudar. Por mais que a temporada tenha começado muito bem, a sua segunda metade foi sofrível. Aí veio American Horror Story: Freak Show, e a dupla Ryan/Brad resolveu assumir o que queria fazer o tempo todo: o bizarro, e nada mais. E isso continua em AHS: Hotel.

A boa notícia é que, aparentemente, eles tentam dessa vez inserir uma trama onde os personagens estão mais interconectados à trama geral. Há pelo menos duas grandes tramas acontecendo, que podem render alguma coisa no final da temporada. Quero dizer, se minimamente trabalhados, podem valorizar alguns personagens interessantes. O problema é que a série tem 13 episódios na temporada.

E aqui está a má notícia: é muito tempo para que Murphy e Brad encham linguiça com as excentricidades que saem do nada e vão para lugar nenhum. Sem falar que o elenco dessa temporada é enorme, ou seja, muita gente para morrer a troco de nada. Muitas formas medonhas de matar pessoas que só vão aparecer na série para morrer. Tudo bem que o tema “morte” em uma série com sua premissa deve ser um elemento considerado básico. Mas eles precisam desenvolver tramas para a história andar.

Pois bem…. as cartas estão na mesa. American Horror Story: Hotel está aí, e as primeiras impressões são um “mais do mesmo”. E não é nem isso o que desanima. O que realmente desanima é que, ao que tudo indica, a trama bem desenvolvida vai dar lugar (de novo) ao sangue e sexo sem muitos propósitos. Apenas para chocar.

Aliás, é chocante saber que Lady Gaga participa de uma orgia sem tirar a calcinha.