No ano passado, eu, Eduardo Moreira, zoei muito a estreia de American Horror Story, pois achei o seu piloto uma verdadeira comédia. Ao longo da temporada, titia Ryan Murphy foi me surpreendendo, pois mesmo em uma série que mostrava as suas bizarrices sexuais mais pederastas, ele apresentou um trabalho surpreendentemente diferente de tudo aquilo que a TV estava mostrando, com uma atuação impecável de Jessica Lange. Pois bem, para me redimir de todas as bobagens que disse no passado, começo falando que American Horror Story: Asylum é a autêntica série de terror que você deve ver nessa temporada. Terror e bizarrices. Senão, não seria de Ryan Murphy e Brad Falchuk.

Explicando as regras do jogo: lá no final do ano passado, Ryan Murphy já havia avisado que a série seria dividida por histórias completas por temporada. Ou seja, cada temporada teria uma história completamente diferente. Talvez algumas conexões das histórias apareçam em algum momento da temporada, mas a regra essencial é contar uma história diferente por temporada. Ou seja, isso a qualifica como uma masterpiece (ou minissérie). É bom enfatizar isso para que os “PNCs” que acham que houve “roubo” no Emmy fiquem calados. Não houve roubo. É só o Ryan Murphy que é mais inteligente do que você e eu.

Ou seja, temos uma nova história a ser contada. Dessa vez, somos apresentados a um manicômio que, no passado, foi gerenciado pela Igreja Católica e os seus métodos no mínimo “contraditórios” de gerenciar um hospital psiquiátrico. A bagunça é gerenciada pela Irmã Jude (Jessica Lange), que “em nome de Deus” comete todas as barbaridades possíveis para controlar os seus malucos dentro do asilo. Que, por sua vez, tem todos os tipos de malucos lá dentro: maníacos sexuais, ninfomaníacas, médicos que se aproveitam das ninfomaníacas, o maluco bobão vestido de mulher, a que não é maluca, e o que é acusado de ser maluco por ter arrancado a pele de três pessoas, Kit Walker (Evan Peters). Mas na verdade, o coitado só teve um contato imediato de segundo ou terceiro grau com alienígenas (que não são os alienígenas de The Neighbors, não se preocupe).

De quebra, a Irmã Jude, que de santa não tem nada, está doida para “finalizar” (vocês entendem o que eu quero dizer) com o Monsenhor Timothty Howard (Joseph Fiennes), que por sua vez quer usar as atividades do hospital psiquiátrico para se tornar o primeiro Papa norte-americano (ou melhor, nova-iorquino). O único que pode atrapalhar os planos deles é o Dr. Artur Arden (James Cromwell), que com um ar sinistro e métodos nada tradicionais, começa a descobrir a verdade sobre os pacientes do manicômio. Além de criar um pequeno animalzinho estranho nos corredores do hospital.

Olha, o troço é tão louco e tão bizarro, que é muito bom. O primeiro episódio de AHS Asylum é INFINITAMENTE MELHOR que o primeiro episódio da “primeira temporada” (colocamos entre aspas e vamos usar o termo temporadas por mera convenção, mesmo sabendo que a série não se divide exatamente dessa forma), com um nível de imersão absurdamente profundo. Alguns poderão ficar um pouco confusos, pois realmente acontece muita coisa ao mesmo tempo nesse piloto, mas não é difícil de você se localizar no meio dessa viagem alucinógena.

Além disso, fica bem claro nesse primeiro episódio que a nova temporada foi feita sob medida para que Jessica Lange brilhe de forma absoluta. A série é basicamente centrada nela, e em suas decisões em relação ao manicômio. Perversa, tirana, tarada, “doida pra dar”, invejosa, luxuriosa… Irmã Jude é tudo isso e muito mais! E Lange mais uma vez está impecável, compondo um personagem completamente diferente da consagradíssima Constance Langdon da primeira série.

E, antes que vocês me perguntem… Adam Levine aparece sim no primeiro episódio. É creditado como convidado especial, e o personagem dele já se ferra logo de cara, por tentar transar em uma casa abandonada que, no passado, era a vila dos malucos.

Enfim, uma freira tarada, assassinos misteriosos, malucos, tarados sexuais, alienígenas, um doutor bizarro e um sodomizado pelos alienígenas. Tudo isso você encontram em American Horror Story: Asylum. E com tudo isso, ela consegue ser um dos melhores retornos da temporada. Se você tem estômago, sangue frio, e consegue ler nas entrelinhas as ironias da dupla Ryan/Brad, pode ver sem medo, que você vai gostar.

Aliás, é sempre bom lembrar mais uma vez que “Ryan Murphy conseguiu de novo”.