American Gothic

Gótico… por que mesmo?

Eu me pergunto qual é o critério para a CBS escolher as suas séries de summer season. Ou se esse critério é o “qualquer coisa serve”. Nas últimas temporadas, venho sendo desafiado pelas produções de gosto duvidoso do canal, e American Gothic entra nessa lista de séries desprovidas de qualquer critério, mas que por algum motivo foram aprovadas para a grade de programação do verão norte-americano.

Provavelmente porque entra na regra do “vai que cola”, ou “vai que as pessoas gostam”…

 

Do que se trata?

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American Gothic é uma série de mistério criminal, onde ao longo da temporada o telespectador vai se ver preso a ganchos que tentam direcioná-lo para a hipotética solução de um mistério, mas que na verdade só tornam a trama mais confusa, ou a linguiça cada vez mais cheia. O que acontecer primeiro.

A história mostra a família Hawthornes, muito influente na cidade de Boston, mas que tem os seus esqueletos escondidos no armário. Quando um pedaço de um túnel despenca e revela um cinto preso no concreto, vem à tona um caso não solucionado de um serial killer que matou seis pessoas entre 1999 e 2002. O autor dos crimes é conhecido como “o assassino do sino de prata” (nome bem brega).

Fato é que o patriarca da família sabe a verdade sobre esses crimes, mas não sobreviveu para revelar a verdade. Sua esposa (agora viúva negra) também sabe, mas acabou matando o marido para que o segredo não fosse revelado, e deve fazer de tudo para que isso não mude. Os filhos do casal são todos problemáticos, sendo que um deles (até então longe do clã a alguns anos) também sabe a verdade do pai, e quer revelar.

No meio do caminho disso tudo, descobrimos que qualquer um da família pode ser o tal serial killer. Inclusive a criança problemática, filho de pais drogados, que faz experimentos macabros no gato da vizinha. Sem falar no policial misterioso que namora uma das filhas do casal, que tem cara de bonzinho, mas que estará envolvido na trama de forma mais próxima.

Ah, e o grande plot do episódio é o gato da velha vizinha desaparecido.

 

Vale a pena?

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A não ser que você assista American Gothic sem levar a série a sério, e rindo de todos os absurdos apresentados, não.

Não dá para levar a sério uma série com uma sequência absurda de cenas clichês, diálogos já batidos, plot twists manjados, e mistérios jogados de forma gratuita na cara do telespectador. Sem falar que o fraco elenco não ajuda em nada: os atores fazem com que os seus personagens beiram ao caricata, onde a matriarca faz cara de “oh, sou uma mulher muito má”, o filho mais velho é do tipo “meu Deus, eu sou sinistro e misterioso”, e o molequinho naturalmente faz cara de perturbado (já que ele é mesmo).

No final das contas, você não se importa com nada que a American Gothic apresenta. Exceto é claro com a velha vizinha que tem o gato desaparecido. Do mais, tanto fez como tanto faz. Tudo parece bem vazio e superficial, tal e como a família central da trama é. E isso não ajuda em nada na hora de você assistir o piloto. Tudo é realmente muito fraco para se apegar.

De novo: só se apegue se for pela galhofa.

Aliás, um detalhe curioso: o piloto de American Gothic é tão ruim, que passa rápido. Não é algo maçante ou insuportável, mas nem por isso é algo bom. Pelo contrário. A maioria não vai querer chegar perto do segundo episódio.

Enfim, a pergunta do começo desse post persiste: qual é o critério para a CBS aprovar as suas séries de summer season. Se for o “qualquer coisa serve”, American Gothic não tem como se encaixar melhor nesse conceito.