americancrime

“Que saudades de você, Felicity Huffman!”. Dito isso, vamos falar de coisa boa? American Crime é, FINALMENTE, um piloto do qual terei plena satisfação em escrever. A primeira impressão da série (antes do piloto ir ao ar) pode não vender algo muito bom sobre a trama. Mas depois de ver o primeiro episódio, isso muda muito, e temos algo muito competente, com uma trama promissora.

O veterano de guerra Mike Skokie é assassinado em casa, e sua mulher, Gwen, é brutalmente violentada. A partir daí, a polícia da cidade de Modesto, Califórnia, começa a investigar o crime. Os pais de Mike, Barb e Russ, ficam obviamente transtornados, tentando entender os motivos para que a tragédia acontecesse. E é essa tragédia que acaba evidenciando as diferenças entre os dois (que estão separados).

Além disso, cada um deles tem uma visão peculiar da tragédia. Russ fica estupefato ao saber que Mike guardava segredos que poderiam ser relevantes para que o crime acontecesse. Já Barb quer enfatizar o caráter racial que o crime teve. Sim, pois os principais suspeitos são de minorias (um negro e um latino). Um detalhe que só o telespectador sabe: existe a grande chance de um inocente ser condenado, uma vez que o principal suspeito de ter cometido o crime ainda está solto (pelo menos no final do piloto).

A série vai mostrar como o sistema penal pode ser justo (ou não) quando o sistema tem que trabalhar para encontrar um culpado, que por sua vez está entre os grupos de minorias dos Estados Unidos. Será que a Justiça trabalha com a mesma eficiência do que trabalharia para um norte-americano típico? Até onde a influência dos estigmas e pré-conceitos pode afetar no processo que vai determinar o culpado?

E o principal: será que o culpado pelo crime será mesmo preso e condenado? Ou um inocente pode parar na cadeira elétrica?

RICHARD CABRAL, ELVIS NOLASCO, CAITLIN GERARD, JOHNNY ORTIZ, BENITO MARTINEZ, TIMOTHY HUTTON, FELICITY HUFFMAN, W. EARL BROWN, PENELOPE ANN MILLER

O piloto de American Crime é bom. Surpreendentemente bom. É uma história séria, tratando de temas adultos com linguagem adulta. O trabalho de produção e principalmente de edição do episódio está em um nível acima da média para os pilotos dos dramas da TV aberta nessa temporada. E o elenco convence, sem personagens caricatas e com interpretações marcantes.

Mais uma vez temos que destacar a bela atuação de Felicity Huffman, que arrebenta logo de cara na série. Sua capacidade de interpretação é inegável, e quem viu as oito temporada de Desperate Housewives sabe muito bem disso, e Timothy Hutton não fica atrás (a cena que ele é notificado da morte do filho merece destaque).

Por fim, estou satisfeito com American Crime. É um drama que realmente pode chamar a atenção pela proposta investigativa e jurídica, pelas questões morais e étnicas levantadas pelo piloto, e pela proposta de ser uma série tecnicamente mais elaborada que as demais estreias da TV aberta. Eu vou continuar, e se você é um daqueles que buscam um drama mais sério e com uma linha narrativa que prende em função da investigação traçada, acho que American Crime é uma excelente pedida.