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Demorou, mas está aqui. Antes que o Warner Channel estreie a série no Brasil, vamos falar um pouco sobre o piloto de Almost Human. E, de cara, digo de uma vez: “e mais uma vez temos um piloto que ‘grita’ J. J. Abrams por todos os poros”. Vejamos…

A história é a seguinte: 35 anos no futuro (em 2048, se minha matemática estiver correta), depois da Terra ter passado por algumas m*rdas eventuais (como sempre), o Departamento de Polícia de Los Angeles decidiu colocar como parceiros dos policiais alguns androides com aparência humana. O motivo para tal decisão é aumentar a eficiência da força policial, e reduzir o índice de policiais mortos em ação.

Acontece que os androides são limitados. Contam com uma inteligência artificial, mas que é inteligente até a página quatro. São androides pragmáticos e previamente programados para realizar as tarefas previamente estabelecidas, ou simplesmente obedecer as ordens de comando. Ou seja, não chega a ser uma grande surpresa que a cidade de Los Angeles vive sob grande ameaça de terroristas, gangues, assassinos e grupos de extermínio dos mais diversos.

Nesse meio tempo, temos o protagonista, John Kennex (Karl Urban), um policial traumatizado por não só ter perdido as pernas em combate, mas principalmente por ter perdido um dos seus parceiros (humanos) no processo. Por tabela, sua esposa sumiu, e ele não faz ideia de quem foi que ferrou com o seu mundo perfeito. Então, entendem que John é a melhor pessoa para voltar ao serviço nesse momento. A prova de que eles estão “certos” é que John não aceita que nenhum androide seja o seu parceiro, como manda as novas regras da polícia.

Até que aparece Dorian (Michael Ealy), uma versão alternativa dos androides policiais, um tanto quanto desatualizada (em quatro anos), mas com um importante diferencial: Dorian tem sentimentos.

Na verdade, o diferencial de Dorian é ter a consciência das reações humanas e, baseado nisso, expandir o seu leque de decisões. Afinal de contas, são os sentimentos que tornam os humanos impulsivos, fazendo com que eles tomem decisões rápidas e, por consequência, mais eficientes em situações específicas. Resultado: Dorian é muito mais completo que os seus colegas androides novinhos (mesmo sendo quatro anos atrasado), e faz com que seja (na teoria) o parceiro ideal para John…

…até porque ele é “quase um humano”, não é mesmo?

Sobre o piloto… como eu disse antes, ele tem a assinatura de J. J. Abrams em vários aspectos. E não falo só na parte estética. A trilha sonora do piloto foi composta por ele. Logo, a vibe é completa. Mas é um piloto visualmente bem feito. Dá uma sensação em alguns momentos que você está em um videogame gigante, mas diferente de outras produções, isso não é tão ruim assim. Na verdade, você tem que entrar no clima do piloto para imergir na sua atmosfera visual.

Já a premissa da série não me animou muito. Vai ser a série “caso do dia”, onde a dupla John/Dorian vão ter que fazer o trabalho que a polícia de Los Angeles (com os seus androids sem sentimentos) não são capazes de fazer. Até porque uma das soluções mais óbvias (e já utilizadas em outras produções) foi utilizada para desativar TODOS OS ANDROIDES da delegacia, de uma vez só.

Sem falar na química de “bromance” que rapidamente vai rolar entre John e Dorian, algo previsível e imaginável, já que Dorian é o mais próximo de humano que John conviveu nos últimos anos.

Logo, não espere mistérios a serem desvendados, viradas mirabolantes ou plots de explodir a cabeça. Almost Human é a série futurista, de caso do dia, com os dois parceiros resolvendo os problemas, fazendo aquilo que o restante da polícia não consegue fazer. Bem no esquema “o caso do dia”. Pode ser que dê certo na Fox, e até torço para isso. Porém, o segundo episódio (exibido no seu horário de origem, e não no domingo, como aconteceu na estreia), já registrou uma considerável queda de audiência.

De qualquer forma, boa sorte para J. J. Abrams… apesar do final de Lost…