a-toca-netflix

Demorou, mas finalmente consegui assistir o piloto de A Toca, a primeira produção original da Netflix Brasil. Poderia resumir como a adaptação do canal de vídeos do YouTube Parafernália para o formato de episódios de 26 minutos de duração, mas seria basicamente adaptar o formato de esquetes para a internet… para um serviço de streaming. E isso é pouco. Então, o que é A Toca?

A Toca é uma série em formato de mockumentary, que combina cenas do dia-a-dia ficcional da produtora de Felipe Neto, a Parafernalha, com algumas esquetes produzidas pelo grupo. As ações se combinam ao longo do episódio piloto, onde parte dele serve para apresentar os personagens (ou a equipe de trabalho da produtora) e a outra parte, que são as esquetes humorísticas.

Mantendo o o formato consagrado do canal de humor, não há muitas modificações nas esquetes. Talvez um pouco menos de palavrões, para que ele se encaixe na classificação indicativa de audiência, mas se você já é um assinante do canal, não vai sentir muita diferença do conteúdo que já está na internet para aquele que é apresentado pelo piloto disponível no Netflix. Até mesmo na produção final das esquetes e do programa como um todo. Eles conseguiram se manter relativamente fiéis ao original deles mesmos, sem se descaracterizar por estar em uma nova plataforma ou um outro formato.

Mas a pergunta que fica é: vale a pena?

Bom, depende. Se você já gosta do Parafernalha, vai gostar de A Toca. Até porque, como eu já disse, é o mesmo conteúdo, um pouco mais suavizado. Agora, se você já tem algum tipo de indisposição com o Felipe Neto em si, já vai ser mais difícil de engolir. Mas aí não será pela qualidade ou não do programa, mas sim por ser o Felipe Neto mesmo.

Como não é o meu caso (até porque não acompanho tanto o trabalho do Felipe Neto – assisti um ou dois vídeos dele do Não Faz Sentido, no máximo), eu até que consegui assistir o piloto de A Toca sem a irresistível vontade de dar o STOP antes do piloto acabar. Acho que, por gostar do humor da internet (na maioria dos casos), fica mais fácil de assistir o piloto como ele é: um conjunto de esquetes humorísticas.

Fora isso, não dá para ter um parecer sobre algo que não conseguiu sair da caixa segura de algo que já era conhecido do público da internet. Não houve um grande trabalho para realmente criar um formato novo, mas sim, reproduzir o mesmo formato que já estava na internet, em outro serviço da internet. Até mesmo o mockumentary não é algo que possa ser chamado de tão diferente assim. Aliás, é algo que eu imaginava que fosse acontecer: contar a história deles mesmos, e como eles chegaram no ponto de uma produtora de vídeos na internet, que agora tem uma série produzida pela Netflix.

No final das contas, A Toca nada mais é do que ser a expansão do canal de vídeos do Parafernalha. Se você gosta do canal do YouTube, você vai gostar de A Toca. Se é a primeira vez que viu alguma coisa deles na vida, tem sérias chances de não aceitar muito a proposta. Se viu vídeos de outros grupos similares (principalmente a Porta dos Fundos), as comparações serão inevitáveis.

Se você odeia o Felipe Neto (porque ele falou mal de Crepúsculo), me surpreende você ter chegado até aqui: o final do post.