A Gifted Man
(CBS) é mais um dos pilotos que mostram consistência na sua proposta, e um piloto bem feito. Em uma Fall Season tão fraca, é bom ver uma série que deve conquistar o seu nicho de público com uma história que, por mais fantasiosa que seja, não cai no cretino de outras produções.

A proposta de A Gifted Man já foi mostrada por outras séries, onde as pessoas ou falavam com mortos, ou tinha poderes sobrenaturais, ou até mesmo falavam com “Deus” (ou algum representante muito poderoso Dele). Exemplos: Touch By An Angel, Medium, Joan of Arcadia, entre outras. No caso de A Gifted Man, o objetivo é transformar um médico talentoso, porém, extremamente egoísta, em um ser mais “humano”, ajudando os clientes que realmente precisam de seus cuidados (sem cobrar nada deles de preferência, pois são todos norte-americanos que recebem menos de US$ 20 mil anuais, logo, não tem seguro de saúde), sendo mais gentil com sua secretária (que faz tudo por ele), e com sua problemática irmã, que vive uma vida complicada, com um filho adolescente complicado.

Você pode até querer desistir a essa altura do campeonato, mas acredite: é melhor do que estou contando aqui para vocês. A história tem um grande mérito, que é não fazer com que a morta resolva todos os problemas do médico, pelo contrário. É ela quem precisa da ajuda dele, para que ela possa “encerrar assuntos” que ela deixou pendente. Ah, não contei algo importante: a falecida é a ex-mulher do médico arrogante. No primeiro encontro deles nessa nova experiência vida/morte, eles passam um bom tempo relembrando o passado, tentando entender porque eles se separaram, como se fosse para preparar o terreno para o que estaria por vir.

Logo no piloto, o médico já se depara com a bomba que a falecida deixou. Um dos problemas que a série vai abordar é a deficiência do sistema público de saúde dos Estados Unidos, e como é injusto esse sistema. Outro ponto que será bacana de se ver na série é a competência que o médico tem em resolver seus casos. Bom, em alguns deles, pois nem tudo dá certo na vida do médico. Mas, depois de tudo, ele sabe que tem uma missão a cumprir na Terra: fazer a diferença na vida daqueles que realmente precisam, e não daqueles que podem pagar US$ 20 mil por dia de atendimento dele.

A série tem uma boa produção, uma trama de piloto bem feita, um roteiro bem montado (exceto no momento em que o próprio médico vai buscar na Wikipédia os sintomas de supostas alucinações que ele estaria tendo. Mas… ele não é médico? Não saberia desses sintomas), e uma história que pode interessar aos fãs de temas como espiritualidade, vida após a morte e filantropia. Talvez o único problema seja mesmo o Patrick Wilson, que faz o papel de protagonista da série (ou seja, o médico arrogante).

Ele já me incomodava desde o promo. Achei a interpretação dele fraca no promo, mas com o piloto completo, mudei um pouco a minha opinião. A atuação dele é condizente com tudo o que acontece no piloto. Só que o personagem dele é realmente irritante e insuportável, mais que a Rachel Bilson em Hart of Dixie (IN YOUR FACE, @vanamedeiros), onde só vale a pena vê-lo em ação por causa dos demais personagens que o cerca. E isso porque nem cheguei a entrar em detalhes sobre a corrida matinal dele, que é uma versão masculina da corrida da Phoebe de Friends no Central Park (que, para quem não se lembra, parecia uma criança de 10 anos de idade correndo contra o vento).

Mas, mesmo com essa predisposição de minha parte de não gostar dele logo de cara, acredito que a série vai render bons frutos. Se bem que a audiência americana é maluca. Se não cair no gosto deles, ela pode ser cancelada, mesmo tendo uma história bem estruturada.

Mas fica a dica para quem quer uma história mais adulta. A Gifted Man pode ser uma boa série dramática para se ver nessa temporada. Isso é, se a audiência deixar, é claro.