Demorou, mas chegou. Com as férias de final de ano, ficou difícil ver algumas séries, mas não deixamos de notar a nova estreia nas comédias da NBC. 1600 Penn estreou de forma discreta na grade de programação norte-americana, estreando em 17 de dezembro por lá. Mas como o segundo episódio só será exibido nos Estados Unidos nessa semana (10 de janeiro), o review aqui é válido, até mesmo para saber se vale a pena para você ver o piloto da série.

Antes de qualquer coisa, se você resolver assistir o piloto de 1600 Penn, você deve se esquecer de todo o cenário político mundial atual. Rigorosamente tudo. A série criada por Josh Gad e Jon Lovett cria uma linha própria de tempo, com um cenário político totalmente particular, onde o objetivo principal da série é mesmo tirar sarro de um cenário fictício. Logo, não seja um PNC dizendo logo de cara que “o presidente é branco”, “o presidente do Brasil não é um homem” e “nunca que um moleque invadiria a reunião entre os chefes de estado da América do Sul”. É tudo ficção, logo, compre a ideia.

Dito isso, eu me surpreendi positivamente com o piloto de 1600 Penn. A série se centra no personagem de um dos seus criadores (aliás, Josh é um dos mais jovens autores de séries do momento, com apenas 31 anos de idade). Josh faz o papel de Skip Gilchrist, o filho mais velho do atual presidente dos Estados Unidos, Dale Gilchrist (Bill Pullman). Em algum momento de sua vida, Dale se divorcia da mulher e se casa com a gostosona Emily Nash-Gilchrist (Jenna Elfman), que é considerada por muitos o “grande prêmio” da vida dele. Para amenizar a situação, Dale tem a ideia de trazer seus filhos Skip, Becca, Marigold e Xander (todos do primeiro casamento) para viver com ele na residência oficial do seu cargo, ou seja, a Casa Branca. Ou a 1600 Pennsylvania Avenue.

O problema é que Dale tem uma missão bem complicada, que é colocar todos debaixo do mesmo teto, de forma harmoniosa. Emily tenta ser a “nova mãe” esperta (apesar de loura), que quer agradar os filhos de Dale a todo custo. Marigold e Xander são os filhos menores e pentelhos que toda família tem. Becca é a “aborrecente”, que vai enfrentar uma gravidez precoce…

Mas o pior de todos (e o centro de nossas atenções) é Skip, que é o gordo/nerd/burro, que está na faculdade há 7 anos (não fazendo nada, exceto colocar fogo no alojamento dos esportistas que odeiam os nerds), sem nenhum objetivo na vida, e que é a principal fonte de preocupação do pai, que quer que a “chama” de Skip brilhe. Tudo bem, ele coloca fogo em vários lugares ao longo do piloto, mas no final, ele ainda acerta alguma coisa em prol do pal.

O piloto me surpreendeu porque, apesar de ser uma série centrada no personagem dito “retardado”, algumas piadas funcionam bem, com um texto minimamente bem pensado e roteiro com pequenas situações que resultam em risadas espontâneas. Confesso que não esperava que fosse dar muito certo pelo promo visto lá no meio do ano passado, mas depois de 21 minutos de episódio, eu fiquei com a sensação de ter visto uma série sem pretensão nenhuma de ser a nova comédia do momento, mas com aquele desejo de ver mais um episódio.

Como disse lá em cima no post, é importante ignorar algumas coisas que podem incomodar aos mais chatos. O exemplo mais explícito do piloto é que o presidente  do Brasil é homem, e é o grande vilão da trama inicial. Além disso, ninguém no Brasil joga Pelota Basca, um esporte tipicamente espanhol. Mas, como também disse antes, meu conselho é que você deixe de ser chato e entenda de uma vez por todas que é uma série de ficção, e não uma retratação da realidade. É pura fantasia, apenas para fazer você rir. Aliás, a série nem é sobre política, e sim sobre uma família disfuncional que tenta se reorganizar em um novo momento de vida para todos.

Enfim, 1600 Penn teve um bom começo, ao meu ver. É melhor do que várias comédias que já vingaram na temporada. Bom, pelo menos na sua proposta de fazer rir pelas besteiras do filho burro, acerta. Se vai vingar, só o tempo vai dizer. Tem elementos que podem segurar a audiência, como Jenna Elfman (de Dharma & Greg) e Bill Pullman (que já foi presidente dos Estados Unidos em Independence Day). Resta saber se o timing de Josh Gad para tornar Skip Gilchrist ainda mais burro (e ao mesmo tempo, humano) vai ser bom o suficiente para manter a comédia no ar.