Eu levei 12 episódios para me sentir motivado para escrever algumas linhas sobre 24 Horas aqui no blog. E devo confessar que esta foto acima do promo é o que dá a tônica do personagem central da série nesta temporada. Bom, vocês sabem muito bem o quanto que eu gosto da história de Jack Bauer, mas não sou cego à ponto de tapar o Sol com a peneira: esta temporada está muito dura de engolir. E eu posso explicar o porquê.

Ao contrário da nossa amiga Vana Medeiros, que segue convicta na sua viagem sem volta no mundo das substâncias ilícitas para defender com unhas e dentes a última temporada de Lost (e eu aqui levanto a placa do “eu já sabia que Lost ia dar nisso…”), e que acha que “temos que aproveitar a viagem”, eu não consigo defender a história que estão me entregando. Tudo bem, Jack Bauer mudou: é um avô, resolveu voltar a sua vida para os hábitos familiares, vai voltar para a Califórnia com a chata da Kim Bauer (que tomou uma das posturas mais controvérsias da personagem até agora), é mais humano e não aguenta mais ouvir as siglas C.T.U. Mas antes ele ficasse sentado em uma cadeira dando ordens para Cole Ortiz (Freddie Prinze Jr, que, pelo amor de Deus, que escolha patética dos produtores. colocar um boneco de cera para ser aspone de Jack Bauer…). Em tudo o que vimos nestes anos todos da série, Jack Bauer passa por uma série de dificuldades, com terroristas inteligentes/sanguinários, passa por situações de risco de vida (tendo o próprio Jack Bauer “morrido” em duas temporadas), tendo diversas dificuldades para resolver os problemas… nada disso acontece: o máximo que Bauer fez foi ameaçar um projeto mal acabado de terrorista, andar de carro com Cole Ortiz por horas… e mais nada. Isso sem citar que, por diversas vezes, ele disse que não queria voltar à ativa. Doce ilusão…

Outro grave problema desta temporada é o elenco e suas tramas dispensáveis. Aonde que os produtores de 24 Horas acham a trama de Dana Walsh (Katee Sackhoff) realmente interessante? Pelo amor de qualquer coisa, arrastar por mais de dois episódios suas trapalhadas criminosas com amiguinhos foras-da-lei, o seu “discutindo a relação” com Cole Ortiz é patético, e agora, pressão externa de diretor de condicional! Valha-me Deus! O pior é que esta trama toda, além de desnecessária, apaga qualquer possibilidade de dois personagens muito mais interessantes receberem destaque na temporada: Chloe O’ Brien (Mary Lynn Rajskub) e Renee Walker (Annie Wersching). Aliás, Renee chegou nesta temporada mais “bad-ass-mother-fucker” do que o próprio Jack Bauer, o que já é anormal. Mas, mesmo aceitando isso: depois de sua participação, conseguiram desaparecer com o personagem dela! Por que? Deixem a surtada lá! Afinal de contas, ela ainda faz alguma coisa!

E o tratado de paz entre Estados Unidos e o tal país fictício do Oriente Médio? Tudo bem, é a trama central, é o motivo pelo qual Jack Bauer está se ralando nesta temporada. Mas, convenhamos… perdem tempo demais com isso! Nunca na história da TV se viu tanto esforço para que um chefe de estado norte-americano conclua um acordo de paz com um país que pode ferrar com o seu a qualquer momento, pelas suas costas. Quem paga com isso é a personagem da Presidente Allison Taylor (Cherry Jones) que, por causa de um roteiro modorrento, tem suas chances de disputar novamente o Emmy como melhor atriz coadjuvante/drama minimizadas (na Season 7, ela foi muito mais notória na série, o que ajudou a sua performance).

Para quem começa a assistir a temporada pela FOX Brasil (estreou na semana passada, 16/03), prepare-se para entrar no mundo do tédio, da dor de cabeça e das perguntas constantes a si mesmo de “por que estou assistindo esta série mesmo?” até o episódio 12, que foi o primeiro que realmente pode se dizer que tem cara dos bons tempos de 24 Horas. Até lá, te desejo, de coração, boa sorte. Se bem que, como todo fã, espero que a série retome os seus trilhos para encerrar esta temporada com o mínimo de dignidade.

E sim, eu acredito que esta seja a última temporada mesmo. Na verdade, mais do que uma crença, é um desejo pessoal. Eu gosto da série, não me entendam mal. Mas não dá mais, mesmo. Parece que a FOX só consegue contar até 8 direito (os únicos dois acertos com mais de 8 temporadas: Married With Children e The Simpsons), vide Arquivo X. Logo, é melhor encerrar em 2010 mesmo, antes que caia no ridículo de forma assustadora. E não, eu não quero 24 Horas na NBC, de jeito nenhum. Muito menos com Freddie Prinze Jr como protagonista, como se especula. Não quero nada disso. Que venha o longa metragem para o cinema, os jogos de videogame, qualquer coisa. Mas que 24 Horas encerre seu ciclo com dignidade, como ela merece, e ainda com sua imagem de uma das maiores séries dramáticas de todos os tempos intacta.