Assisti com muita calma (e, ao mesmo tempo, muita empolgação) aos dois episódios finais da Season 7 de 24 Horas (Fox). A sensação que tive ao terminar os episódios é que, cada vez mais, a Fox consegue trazer uma das experiências televisivas mais inovadoras de todos os tempos. A série nos seus enredos não chega mais a empolgar. Não há mais grandes surpresas na trama, isso em linhas gerais. A série busca um novo nível de se contar uma história e apenas uma história. A de Jack Bauer.

Não preciso ficar aqui relembrando o enredo de 24 Horas. Mas muita gente se esqueceu que o motivo principal para que a história seja narrada é ele. Ele é o ponto central dos acontecimentos, nos problemas e nas soluções de conflitos e dramas. Desde os primeiros minutos. Ora bolas, todo mundo sabe que poderíamos nas primeiras temporadas focar a série na vida de David Palmer, mas também sabemos que não seria a mesma coisa. Os dois episódios finais mostram bem isso, pois até para conseguir um vírus para construir uma ameaça biológica precisam de Jack Bauer. Poucas séries se focaram tanto na transformação de caráter e personalidade de um personagem quanto 24 Horas, e para quem não gostou das mudanças em Jack nesta Season 7, sinto muito… mas eu achei fantástico.

Para aqueles que não acompanharam a série nos últimos anos, a transformação de Jack vem desde a Season 3. São mudanças que o personagem precisou passar. Afinal, o Jack Bauer da Season 1, pai de família, minimamente normal, mas com algumas marcas no seu passado, não existe mais. E nesta Season 7, vindo de duas mortes e ressuscitações, consumo de drogas, fuga, prisão e tortura dos chineses e prisão na África, vocês esperavam o que? Só que, nesta temporada, as mudanças foram simplesmente gigantescas e, ao mesmo tempo, maravilhosas.

Nesta temporada, fica claro que a trama de 24 Horas, como vemos hoje, começa na Season 4, com toda a reviravolta que coloca Charles Logan no poder. E isso é mostrado ao fã da série de forma clara, transparente. E tudo dá a entender que, para acabar de vez com esta grande conspiração que se criou há 10 anos (no tempo da série), são necessários, pelo menos, mais ação de 24 horas para que se mate o mal pela raiz. E, puxa vida… o que não é um sentimento de mágoa, rancor e vingança para que o contexto de um personagem se modifique tanto como o que aconteceu com Tony Almeida.

Por outro lado, faz um bom tempo que Jack vem passando pela experiência de perder todos aqueles que amava. Esposa, ex-amante (e traidora), parceiros de trabalho, amigos antigos… não sobrou quase nada à ele. Quer dizer, o quase nada de Jack é quase tudo: Kim Bauer (que, depois de tantas cagadas nas temporadas anteriores, finalmente usou o cérebro no final desta temporada) e Chloe O’Brien (que cresceu de forma fantástica nesta temporada, não lembrando em nada a técnica bobinha das temporadas anteriores). E ele valoriza e preserva estas duas relações.

Mas, Jack não aguenta mais a sequencia inacreditável de tragédias e calamidades que tem que evitar. A Season 7 mostrou, finalmente, o Jack Bauer humano, em conflito do fazer o que é certo, ou fazer o que tem que ser feito. A série leva finalmente as questões de tortura que sempre foram muito questionadas por boa parte da crítica, colocando Jack Bauer para ser julgado aos olhos da lei, e também, por outro lado, aprsentando o fator que “se não me adapto à situação, não derroto meu inimigo, que não se importa em morrer pela causa”.

Ver Jack quase morto no fim da temporada é um bom final sim. Ele é um ser humano, e não um cyborg sem sentimentos como a Agente Walker sabiamente reclamou durante a temporada. Mais do que isso: Jack não quer mais ser julgado pelos seus pecados através do olhar de um juiz (ou de um senador tendencioso), e sim por algo maior. É simplesmente emocionante sua busca pelo perdão dos pecados, e ainda mais diante de um representante de uma religião do Oriente Médio. Só para completar o soco na boca do estômago daqueles mais “pseudo idealistas”, porém, preconceituosos.

Sabemos que Kim Bauer salvará sua vida (será que ela se sacrificará por isso, como o pai fez tantas vezes) e digo até que, muito provavelmente, saberemos do que Jack Bauer vai morrer. E creio mesmo que a Fox tem que ser esperta o suficiente para encerrar a série na próxima temporada, com o cenário que se desenha: em Nova York, com a volta da CTU, com a morte de Jack e tudo mais. Questões a serem respondidas? Algumas: que fim leva Tony Almeida, que veio como grande “badassmotherfocka” da temporada? Alan Wilson: como ele vai influenciar os acontecimentos da próxima temporada? Agente Walker e Janis vão integrar a nova CTU? Allison Taylor segue firme como presidente?

Bom, por enquanto, fica este pequeno aviso: não se iludam, as coisas na vida mudam. Jack Bauer também mudou, pois tinha que mudar. E a 8va Temporada, para mim, encerra uma das histórias mais espetaculares de todos os tempos na TV.

No decorrer das semanas, falaremos um pouco mais sobre 24 Horas aqui no Spin-Off.

E TENHO DITO!!!