A próxima fall-season (que começa em agosto de 2013) promete ser uma das piores de todos os tempos. Para você ter uma ideia, FOX e NBC preparam grandes bombas (principalmente a sitcom baseada na vida de Jessica Simpson… com a própria como protagonista). Mas algumas coisas devem se salvar. Poucas, é verdade. Uma delas é a sitcom de Michael J. Fox (o que deve ressuscitar a NBC nas comédias). A outra é  Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D., drama de ação baseado no universo de heróis da Marvel, que será exibida pela ABC. Mas… por que esperar por uma boa série de heróis dessa vez?

Todo mundo sabe que, na história da televisão, sempre foi muito complicado fazer séries baseados em quadrinhos e em heróis. É um tema com um nicho de público bem específico, de difícil apelo popular, e que facilmente pode ter o seu argumento se perdendo com roteiros com falhas que comprometem toda a estrutura narrativa da história. Não falo isso por perseguição. Vide o exemplo de Heroes (NBC), que teve uma primeira temporada espetacular… até o seu Season Finale patético.

Na verdade, poucas séries de heróis deram certo. Batman da década de 1960 (com Adam West), mesmo parecendo hoje uma grande tiração de sarro com o homem-morcego, durou tempo suficiente para ser considerada um sucesso. Mesmo as séries da década de 1970 não duraram tempo bastante para entrar numa lista de bem sucedidas. Séries como Wonder Woman e Hulk marcaram época, mas foram canceladas bem antes de completar 100 episódios. E, é claro, como não nos esquecermos de The Cape, que era tão ruim, que o seu final sequer foi exibido na TV.

Seguindo essa lógica, a série com um herói que mais tempo prevaleceu foi Smallville (CW), e mesmo assim, na minha opinião, ela só valeu a pena até a morte de Jonathan Kent. Depois disso, se você continuou, parabéns para você! Te admiro pela persistência!

Mas, voltando ao ponto: por que S.H.I.E.L.D. pode dar certo?

Porque a série já começa diferente, contando com a mesma estrutura da bem sucedida série de flimes The Avengers. E isso é diferente da situação “o filme que deu origem à série”. Isso teve aos montes, e nem sempre deu certo. No caso dessa produção da ABC, eles pelo menos prometem tomar o cuidado de acompanhar a estrutura de narrativa e apresentação dos personagens que foi feita na série de filmes dos Vingadores.

Afinal, esse foi o principal trunfo da produção cinematográfica: mostrar em detalhes como são esses personagens, fazer uma conexão entre cada um deles (e como eles formariam o time de heróis lá na frente), e fazer com que o público se importasse o suficiente para lotar os cinemas quando eles se reunissem para o primeiro grande combate.

É claro que eu não espero uma sequência tão longa de episódios, mas a ideia original certamente estará presente.

Outro detalhe: a história de S.H.I.E.L.D. vai acompanhar em paralelo a história dos filmes, mesmo que de forma mínima, não apenas sendo uma continuidade, mas em alguns momentos, correndo junto em momentos considerados chave para as duas histórias. Isso pode dar uma dinâmica diferente para a série, e fortalecer a mesma junto ao público.

Mesmo sendo uma série onde a grande maioria dos personagens jamais apareceram na tela do cinema (uma das poucas exceções é o agente Phil Coulson, interpretado por Clark Gregg, que já está confirmado no piloto – e abre uma ponta de esperança que ele volte no segundo filme dos Vingadores).

Por fim, Joss Whedon. O nerd responsável por Buffy the Vampire Slayer e Firefly é o responsável pela produção da ABC. E sua marca registrada é: “ele entende do assunto”. Para uma produção com essa temática, a ABC fez a escolha acertada, e as expectativas de acerto desse piloto aumentam de forma considerável.

Confesso que histórias de super heróis nunca foram o meu forte, mas achei a ideia de The Avengers muito bem sacada, e me diverti em todos os filmes que assisti no cinema. Logo, minhas expectativas com S.H.I.E.L.D. são razoavelmente elevadas. É claro que, acompanhando os últimos anos das novas séries televisivas, aprendemos que temos que ficar sempre com um pé atrás. Mas, nesse caso, como disse antes: as chances de acerto são maiores. Agora, resta esperar o segundo semestre chegar (e a ABC aprovar esse piloto antes).