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Só no Brasil são 16 temporadas. E você ainda está lá, conferindo dia apos dia, semana após semana, o famigerado Big Brother Brasil, doravante conhecido como BBB.

Por que?

A resposta pode variar de pessoa para pessoa. Não que a gente precise fazer um estudo psicológico dos diferentes perfis de telespectadores do reality. Mas é fato que as pessoas assistem o BBB por diversos motivos. Mesmo depois de 16 temporadas, com queda de audiência e com claros sinais de perda de interesse por parte dos telespectadores. E até mesmo procurar entender por que você vai assistir à 17ª temporada do programa.

Aliás, é importante destacar que a decadência desse formato não acontece apenas no Brasil. Nos Estados Unidos, o Big Brother é exibido pela CBS, em um outro formato (dois ou três episódios por semana), e mesmo assim, o programa sofre da queda de audiência, sem falar nas críticas da última temporada por conta de acontecimentos polêmicos envolvendo os seus participantes. De qualquer forma, está lá o canal renovando o programa ano após ano, tal como faz a Rede Globo no Brasil.

O BBB 17 já está garantido. As inscrições começam em maio. Até lá, seguimos buscando a resposta para a pergunta que dá o título para esse post: por que você (ainda) assiste ao BBB?

Bom, para começar, eu não assisto o BBB. Já tive meu tempo de ter essa curiosidade mórbida em saber o quão baixo um ser humano é capaz de descer por causa de alguns milhões de reais. Mas algumas pessoas curtem isso, e não podemos julgá-las. De jeito nenhum. Afinal de contas, quem não gosta de ver o corpo estendido no chão depois do atropelamento? Então… para algumas pessoas, o BBB tem esse efeito meio macabro. É quase uma hipnose. Alguns simplesmente não conseguem parar.

Já outros assistem pelo o que o programa é no final das contas: um programa de entretenimento, puro e simples. Sabe, eu entendo as pessoas que reclamam que o BBB não acrescenta nada de útil. E não tem que acrescentar mesmo. É puro entretenimento ali. Nem Pedro Bial soltando suas chatices em forma de minutos de sabedoria/textos de auto-ajuda/lição de moral no estilo Ariano Suassuna pode ser considerado como “lições que vou carregar para a vida”. Talvez a única lição ali é como não fazer.

Logo, mesmo não assistindo o programa, não faço campanha para que as pessoas não vejam o programa. Afinal de contas, vivemos em um país livre, e todo mundo pode ver o que quiser, certo? Então…

Geralda

Uma turma vê pelo entretenimento puro e simples. Quer apreciar um reality com essa mecânica. Ver como são feitas as alianças, quem vai trair quem, quem vai enganar quem, quem vai ser amiguinho de quem. Simples assim. Ver o programa como qualquer outro, e se envolver com seus acontecimentos. Até porque é isso que faz o formato do reality ser tão bem sucedido na TV: o envolvimento do telespectador.

E aqui temos mais um motivo pelo qual você assiste o BBB: a realidade é muito mais atraente que a ficção. Mesmo que a realidade seja roteirizada em alguns momentos. Ou dirigida pelo Boninho, como queiram.

Mesmo com moldes e formatos que tirem 100% da veracidade, a verdade é que estar em uma situação de confinamento de tudo e de todos, sem qualquer tipo de privacidade, e tendo que conviver com pessoas bem diferentes coloca qualquer pessoa no limite. Tudo bem, eu entendo que ninguém é no BBB como seria no mundo lá fora. É uma situação tão atípica, que tira qualquer um do seu normal. Mesmo assim, é inegável que a pessoa vive aquela experiência de forma intensa, irrestrita. E não há outra forma de vivenciar isso tudo se não for de forma plena.

O BBB ainda dá certo por causa da natureza humana. O ser humano é curioso, futriqueiro, fofoqueiro. Gosta de intrigas e confusões. Notícias negativas dão mais ibope. E um cachorro é mais confiável que um ser humano, que tem no DNA o ‘fator traíra’. E não estou falando tudo isso por maldade. É só olhar o mundo ao seu redor, que você verá que tenho razão.

Nem precisa ir muito longe. Alguns dos leitores vão olhar para dentro de si, e se reconhecer nos itens que descrevi.

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A natureza humana ajuda no sucesso dos realitys. Eu me incluo nessa equação. Como disse antes, por anos eu assisti o BBB, pelos mesmos motivos citados acima. Parei por opção. Não vi mais graça no formato. Hoje, se tenho um programa do tipo “o quão baixo o ser humano é capaz de descer por causa de US$ 1 milhão”, esse programa é o Survivor (CBS), que é tão questionável quanto o reality da casa confinada nos seus aspectos morais, ou sobre como os participantes jogam o jogo.

Por fim… o jogo.

Os críticos vorazes do BBB precisam entender que aquilo é um jogo, e não uma amostra da sociedade como um todo. O fator realidade está restrito às situações que lá acontecem. Eles vivem aquela experiência, e jogam nas regras que estão à sua disposição. Em alguns casos, não há regra alguma, e eles fazem o que for preciso para alcançar os seus objetivos. Podemos até questionar os métodos, mas não a legitimidade de alcançá-los, uma vez que estamos em um cenário onde (teoricamente) tudo é permitido. Inclusive sacanear o amiguinho.

Para encerrar, você ainda assiste o BBB porque a Rede Globo o exibe. Porque você não se aguenta de curiosidade. Porque você entende que o programa é perfeito para entreter você. Porque você se interessa no formato, e aproveita esse formato da melhor forma possível. E porque você tem aquela curiosidade mórbida de ver gente se ferrando dentro de uma casa cercada de câmeras. Todas essas respostas valem para a pergunta.

Talvez eu não concorde com os seus motivos de assistir ao programa. Mas eu compreendo esses motivos. E respeito eles. Nem por isso digo que o BBB é um programa excelente, pois não é. Muito pelo contrário. Acho aquilo péssimo. Mas não tiro o seu direito de gostar. Pelo contrário: até defenderei em alguns casos.

Estamos conversados? Ótimo!