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Nesta semana, a NBC anunciou que a terceira temporada de Hannibal será a última, dando um fim à série de Bryan Fuller que contava as origens de um dos maiores serial killers da história do cinema. Muita gente se manifestou sobre o assunto, protestando pela decisão. Mas… por que essa onda de reclamações pelo fim da série, ao mesmo tempo que sua audiência nem é tão grande assim.

Por partes.

Hannibal foi cancelada apenas e tão somente porque não tinha audiência suficiente para se manter no ar. O último episódio exibido nos EUA teve apenas 1.7 milhão de telespectadores, com uma demo 18-49 anos de apenas 0.5. É muito pouco para uma série de TV aberta, mesmo em uma summer season. Foi uma audiência mais baixa que muitas reprises exibidas em outros canais.

Aliás, ao longo de três temporadas, Hannibal sofreu com o problema da audiência. A série nunca foi um megahit nesse aspecto, e talvez não era para ser popular mesmo. Afinal de contas, estamos falando de um tema pesado, com situações complexas e, em muitos casos, com uma narrativa muito lenta. E a maioria das pessoas simplesmente não conseguem acompanhar produções com essas características. E os fãs de Hannibal precisam entender isso.

Sem falar que a NBC deu liberdade total para Bryan Fuller largar a mão na violência explícita na série. Algumas cenas apresentadas ao longo das temporadas são simplesmente perturbadoras para algumas pessoas, e isso fez com que muita gente abandonasse a série apenas por conta desse critério.

O que é uma pena. Pois Hannibal era boa e diferente justamente por causa disso.

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Definitivamente, Hannibal não era uma série para qualquer um. Não só era uma narrativa complexa, como era intensa e desafiadora. Acho que nenhuma série da TV aberta explorou o plot dos serial killers de forma tão explicitamente violenta como essa. Mas não era a violência gratuita: era quase uma obra de arte.

Tá, não me entendam mal, nem pensem que eu sou um maluco sociopata. Mas no meu entender, Bryan Fuller conseguiu o que poucos nesse segmento conseguem: utilizar uma expressão artística – como é a interpretação – para exprimir de uma história a carga dramática necessária para despertar no telespectador sensações e impressões que normalmente não temos. Pensamentos dos mais diversos, incluindo os perturbadores.

Mais do que isso: mostrou tudo isso sem parecer gratuito. Não foram mortes descartáveis, apenas para eliminar personagens. Quem morreu na série morreu por algum motivo, e foram mortes trabalhadas, detalhadas. Foram apresentadas ao telespectador para que a trama se desenvolvesse.

Mas o maior legado de Hannibal foi apresentar uma série diferenciada. Um thriller complexo, com um roteiro excelente, do mesmo nível que grandes filmes. Diálogos intrigantes, personagens com personalidades marcantes e perturbadoras, e resoluções surpreendentes (em alguns casos, revoltantes), que fizeram da série uma das melhores do seu tempo.

O cancelamento de Hannibal foi lamentada por muita gente. Que, ao mesmo tempo, eram poucos para os números da TV aberta. Se estivesse em um AMC, Showtime ou FX da vida (nem falo da HBO), era sucesso garantido, e se manteria no ar por várias e várias temporadas. Não acho que a Netflix deva salvar essa série. Acho que Bryan Fuller e o seu time cumpriram com a sua missão de apresentar uma excelente história para os fãs de todo o planeta.

Para nós, resta a satisfação de ter acompanhado essa história até aqui. E esperar por um desfecho arrebatador. Não espero menos que isso.