ASHLEY MADEKWE, NICK WECHSLER, CONNOR PAOLO, GABRIEL MANN, EMILY VANCAMP, CHRISTA B. ALLEN, MADELEINE STOWE, JOSH BOWMAN, HENRY CZERNY

Você pode achar que tudo está uma maravilha com os dramas da TV aberta, mas não é bem isso o que acontece. Não é o meu objetivo pegar no pé desta ou daquela série (como no caso de Revenge, que ilustra o nosso post), mas é notável que os dramas dos canais abertos norte-americanos estão muito atrás dos dramas dos canais pagos em praticamente tudo. Em alguns casos, até na audiência, uma vez que The Walking Dead e Game of Thrones conseguem audiências maiores que muitos dramas da NBC. Então… o que realmente está acontecendo?

Está cada vez mais difícil ver um drama nos canais ABC, CBS, Fox, NBC e CW se tornarem grandes sucessos de público e crítica. E não estou falando de sua série favorita. Você gostar de uma determinada série não quer dizer nem que ela é boa, muito menos que ela é um grande sucesso. Produções novas como Red Widow sofrem para a se estabilizar na audiência, e nunca vimos dramas tão ruins como nessa temporada. E, por consequência, acabam sendo cancelados rapidamente. Vide os casos das horrorosas Do No Harm e Zero Hour.

Um dos motivos que os especialistas na programação dos EUA dão para esse fenômeno é que o próprio telespectador tem medo da série ser cancelada prematuramente. Logo, nem dá chance para a produção vingar, sequer assistindo o começo da série, para “não se apegar”. Esse fenômeno também é observado no Brasil, mas mais entre a “geração Torrent”. Já vi muita gente que só começou a ver uma determinada série depois que ela concluiu a sua primeira temporada, e teve a sua renovação garantida pelo canal.

É uma aposta bem segura. Afinal de contas, tempo é dinheiro nesse mundo, e ninguém quer perder tempo vendo uma série que, depois de algumas semanas ou meses, foi cancelada. Porém, é válida para nós, brasileiros, que não são parâmetro para a audiência nos Estados Unidos. Lá, se os americanos adotarem isso como prática corriqueira, os canais abertos estão ferrados.

Last Resort é outro exemplo que merece ser observado. O próprio Shawn Ryan, prevendo o pior, já decidiu escrever o episódio #13 da produção como se fosse “o último”. Outras produções como The Mob Doctor e 666 Park Avenue não tiveram a mesma sorte, pois foram canceladas com 11 e 9 episódios respectivamente, com os demais episódios já gravados. Ou seja, ficou por conta dos editores e roteiristas acharem um final na base do computador e da ilha da edição, algo que não é nada prazeroso para ninguém.

Até agora, nesse post, já citei cinco dramas novos da TV aberta que foram cancelados. Sem falar naquelas que já deixaram de ser novatas, e estão sofrendo para se garantirem no ar.

Enquanto isso, canais pagos como HBO, AMC, Showtime, TNT e USA mantém a grande maioria dos seus dramas no ar. Apostam em poucas novidades, mas são mais acertos. Tudo bem, existem as exceções, e mesmo assim, foram em casos extremos (como em Luck, que foi cancelada depois da morte de cavalos exaustivamente utilizados nos sets de filmagem).

Outro detalhe importante: os canais pagos norte-americanos contam com uma estrutura financeira e operacional bem diferente do que o que temos na TV aberta, o que torna essas decisões mais apuradas. Eles não ganham dinheiro só com a publicidade, mas principalmente com os assinantes que pagam para ver os seus canais. Sem falar que as temporadas são mais curtas. E esses fatores combinados facilitam a vida das séries em exibição.

Mas nem tudo está perdido para os canais abertos. Algumas séries conseguiram engrenar. The Following e Revolution são dois exemplos, mesmo com histórias que são de qualidade e estrutura discutíveis. Nashville e Downton Abbey são adoradas pelos críticos. O caso de Downton Abbey é ainda mais emblemático, pois estamos falando do canal público dos Estados Unidos, que naturalmente não se destaca pela visibilidade junto ao público.

A CBS é um caso à parte. Os dramas procedurais/policiais fazem sucesso no canal a pelo menos 40 anos, e eles sabem o que a audiência deles querem ver. The Good Wife, que é o único ponto fora desse grupo, é a única série de TV aberta que hoje pode se comparar com as produções de canais pagos, sendo também a única a ser indicada ao Emmy Awards na categoria de melhor série dramática nos últimos anos.

Essa crise da TV aberta se reflete na principal premiação da TV norte-americana, o Emmy Awards. A última vencedora de uma série que é exibida pela TV aberta foi Maggie Smith (Downton Abbey). De lá para cá, qualquer categoria envolvida em séries dramáticas foi dominada pelas séries de TV paga. E a última série dramática de TV aberta que venceu a sua categoria no Emmy Awards foi 24 Horas. Em 2006.

Por fim, um dos problemas detectados é que, ao mesmo tempo que foi registrado um certo crescimento de qualidade nas séries dramáticas da TV aberta, também detectamos um crescimento do “insulto à inteligência do telespectador”. Pode não parecer, mas a audiência se tornou mas inteligente e complexa (pela própria mudança do norte-americano médio, que está mais envolvido com tecnologia e cultura geral), e séries como The Following ou Zero Hour, que apresentam soluções óbvias ou argumentos mal explicados, acabam irritando qualquer um que perceba tais erros na tela.

E não se iluda, amigo leitor: The Following e Hannibal estão em evidência por apenas trazer um tema que está em recorrência nos Estados Unidos hoje: os serial killers. Quando esse momento passar, essas séries vão ter muitas dificuldades em permanecerem no ar.

Resta saber se, nesse período de seleção dos pilotos que vão se transformar em séries, se os executivos dos canais vão encontrar os critérios acertados para não repetirem os erros dessa temporada. Ou que pelo menos todos aprendam um pouco com a CBS. Seja lá o que eles estão fazendo, estão acertando. Lembrando sempre que o filtro final será feito pelo telespectador. Invariavelmente.