Emmy Awards

 

Se você já não vai muito com a cara do Emmy Awards, saiba que a edição 2017 da premiação pode ser monopolizada por ele… Donald Trump.

Aliás, muita gente não sabe que Trump é membro da Academia de TV desde junho de 2004, seis meses depois da estreia de The Apprentice (NBC), que chegou a ser indicado como melhor reality nas duas primeiras temporadas. Trump nunca gostou do fato de jamais ganhar um Emmy no comando desse programa.

Ao longo dos anos, ele foi um crítico severo do Emmy Awards, manifestando isso abertamente no Twitter, o seu megafone preferido. Mas agora, na presidência dos Estados Unidos, existem motivos para acreditarmos que é ele quem vai causar no Emmys, com muito mais destaque que a própria competição entre as produções.

Os primeiros meses de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos foram mais que emocionantes. Foram absurdos e loucos. Na TV e fora dela.

Veep (HBO), a atual bi-campeã na categoria Melhor Série de Comédia (2015 e 2016) foi impiedosa com a Casa Branca. Agora, com um material do porte de falsos comunicados de imprensa e presidentes saindo de cerimônias de posse executiva sem sequer assinar a ordem executiva, fica difícil para os roteiristas competirem com o mundo real (relaxem, caras… no Brasil acontece algo ainda pior…).

House of Cards (Netflix) é outra série política de destaque, com indicações nas quatro primeiras temporadas, e que conseguiu ser menos chocante do que as posturas tomadas pelo atual presidente com pele laranja.

Um detalhe importante: os votantes ao Emmy Awards tendem a evitar temas depreciativos à Casa Branca, mas é inegável que os programas que, mesmo de forma velada e subliminar, criticaram Trump, ganharam audiência e os bons olhos da crítica.

Sem falar nos plots adjacentes que circundam a presidência norte-americana nesse momento, como por exemplo: hacks (Mr. Robot), espionagem russa (The Americans), misoginia (The Handmaid’s Tale, Big Little Lies), intolerância racial (black-ish, Atlanta), problemas da comunidade LGBT (Transparent), imigrantes ilegais (American Crime), crise de Wall Street (Billions, The Wizard of Lies) e, é claro, uma mulher como presidente (Homeland).

Obviamente, algumas pessoas preferem se valer do escapismo nessas horas para destacar comédias populares (Unbreakable Kimmy Schmidt) ou enaltecer dramas novelescos (This Is Us), ou até mesmo vivem no passado (The Crown) ou em um mundo alternativo (Stranger Things).

Mas… veja quantas oportunidades que podemos ter Donald Trump sendo duramente criticado pelos profissionais da televisão.

E isso porque eu não estou citando nesse post os talk shows noturnos, que lamberam os beiços com as trapalhadas do mandatário maior.

Logo, vamos fazer aqui a nossa sugestão mental para os votantes do Emmy Awards em votar nos caras certos. O Oscar 2017 já deu o seu recado com vários vencedores, que aproveitaram o palco para massacrar o presidente laranja.

O Emmy Awards pode fazer exatamente o mesmo. E com relativa facilidade.