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Calma! Não é um post de apologia ao compartilhamento. É mais uma constatação de certos comportamentos dos tempos atuais. Ou uma forma diferente de ver o mundo. Ou mesmo para observar como tem gente com “espírito de Robin Hood”… Ou até mesmo para constatar como tem gente muquirana nesse mundo. Fato é que nem mesmo a Netflix escapou do mundo da tecnologia e do compartilhamento, e sua mais recente estreia, Arrested Development, caiu na internet poucas horas depois do seu lançamento.

Quem informa a façanha é o site TorrentFreak. Todos os 15 episódios da quarta temporada da série já estavam disponíveis para download via torrent poucas horas depois do seu lançamento, e mais de 100 mil pessoas já haviam realizado downloads dos episódios nas primeiras 24 horas de disponibilidade. Se você parar para pensar, pode parecer pouco perto do 1 milhão de downloads que Game of Thrones obteve na sua estreia de temporada em abril (nas mesmas 24 horas). Mesmo assim…

O que chama a atenção é que é a Netflix. O streaming de vídeos online é visto por muitos como a melhor solução para combater a pirataria, e convenhamos, quem tem uma assinatura de internet pode pagar mais US$ 9 (ou R$ 16,90) para consumir esse conteúdo. Ou seja, dificuldade financeira para recorrer ao torrent nos vídeos disponíveis na Netflix não pode ser a desculpa para adotar tal prática.

Por outro lado, essa informação dos downloads via torrent de Arrested Development acaba desmentindo o discurso do CEO da Netflix, Reed Hastings, que por muito tempo disse que a Netflix estava vencendo a batalha contra a pirataria com conveniência do serviço e o seu baixo preço. O baixo índice de downloads da série nesse período pode ser uma prova que ele está “certo”. Mesmo assim…

Se pararmos para pensar na tecnologia envolvida nesse processo, piratear a Netflix é ainda mais fácil do que um canal aberto ou pago dos Estados Unidos. Afinal, tudo está no computador mesmo, e com as ferramentas certas, a extração dos vídeos pode ser ainda mais prática e descomplicada. Mas aí entra aquela questão: será que o cidadão tem todo esse espírito de Robin Hood, para querer ajudar aos pobres? Ou é só pela sacanagem de mostrar ao mundo que “é possível sim”?

Um dos fatores que reforçam a teoria do Robin Hood é o fato da Netflix não estar disponível em todos os países. E, convenhamos, a empresa tem capacidade operacional para disponibilizar os seus serviços em escala global. Tudo bem que entraves internacionais e questões de licenciamento e exibição de conteúdos específicos em alguns países acabam tornando o processo de entrada do serviço em um determinado país algo mais complicado. Mesmo assim…

A própria Netflix reconhece essa carência, e afirma que está trabalhando na sua expansão internacional, planejando sua entrada em outros países da Europa já no segundo semestre de 2013. Até lá, os internautas desses países vão depender exclusivamente da boa vontade dos internautas que vão continuar a compartilhar os conteúdos da Netflix.

Longe aqui de discutir os motivos para isso, ou até mesmo julgar os adeptos dessa prática, tudo o que eu posso dizer é: até a Netflix, que era a solução, acabou caindo na questão da pirataria. É para se pensar. Uma coisa é o compartilhamento de Game of Thrones, que passa na HBO, em um canal premium que custa caro em todas as operadoras de TV por assinatura (até mesmo nos Estados Unidos). Outra coisa é o Arrested Development, que está na Netflix, que por sua vez custa R$ 16,90.

De qualquer forma, a galera ficou ligeira. Bem ligeira…

Com informações do Paid Content