Pesadelo na Cozinha

 

“Tompêro” não basta.

A Band trouxe para o Brasil o Kitchen Nightmares, espécie de spinoff de Hell’s Kitchen, apresentado nos Estados Unidos por Gordon Ramsay. No Brasil, o programa recebe a tradução literal do nome, Pesadelo Na Cozinha, e o chef linha dura da vez é o francês… ops, desculpe, ele mesmo vai me corrigir… brasileiro Érick Jacquin, já conhecido do grande público por ser jurado do MasterChef, no mesmo canal.

A boa notícia é que, apesar da Band contar com suas restrições orçamentárias, o canal (e a produtora Quatro Cabezas) manteve-se fiel ao formato original do programa. E isso é ótimo, pois o programa e muito bom nesse formato.

 

Pesadelo Na Cozinha vai mostrar os restaurantes mais problemáticos, que estão indo para o buraco. Algum funcionário do estabelecimento ou o próprio proprietário pede ajuda, e Jacquin, com sua calma que lhe é peculiar, vai até o restaurante para detectar os problemas e indicar os caminhos para que o local volte ao caminho do sucesso.

O grande problema é que normalmente são escolhidos restaurantes cujos proprietários são orgulhosos demais para reconhecerem que o problema existe, e que pode estar neles mesmos. Mesmo com tudo ruindo, e com a verdade sendo jogada na cara deles, eles se recusam a reconhecer que são a fonte do problema e da solução em 95% dos casos.

Já Jacquin não mede meias palavras para apontar os erros. É minucioso na busca dos problemas, implacável ao apontar as falhas, mas também mostra onde os proprietários precisam mudar para salvar o seu negócio.

E, mesmo assim, a decisão é dos donos do restaurante. E só deles.

 

 

Pesadelo Na Cozinha segue fiel à sua origem norte-americana, onde pouco ou nada se mexe no formato do programa. Jacquin vai ao restaurante no primeiro dia, conhece o ambiente, prova os pratos no primeiro dia, identifica os problemas e conversa com os proprietários. Observa na primeira noite como é o serviço.

No dia seguinte, faz as primeiras mudanças, insere um prato novo no cardápio, e refaz suas observações. No terceiro dia conversa de forma mais enfática com os donos do estabelecimento, ao mesmo tempo em que reformula completamente o restaurante, de acordo com suas necessidades mais urgentes.

No quarto e último dia, testa todas as mudanças adotadas, com o objetivo de identificar se o restaurante poderá seguir com as próprias pernas.

 

 

O programa se paga pela carisma de Jacquin, mesmo sendo bem estúpido em boa parte do tempo. Mas… convenhamos: é isso o que os donos dos restaurantes merecem. Afinal de contas, eles querem discutir com um chef consagrado, e que hoje basicamente administra seus restaurantes.

Eu imaginava que Henrique Fogaça fosse um nome mais adequado para apresentar o Pesadelo Na Cozinha, até mesmo pelo seu perfil mais agressivo em MasterChef. Mas Jacquin parece que dá conta do recado, podendo ser tão incisivo quanto.

Além disso, como todo bom reality não-estruturado, o componente emocional é vital para o seu sucesso, e ele se faz muito presente nesse novo programa.

As discussões e desentendimentos serão constantes, uma vez que os envolvidos já se encontram em uma situação de pressão, e serão colocados mais à prova para encontrar suas falhas.

 

A Band foi bem esperta em colocar Pesadelo Na Cozinha nas noites de quinta-feira. Se seguisse a lógica do MasterChef (exibido nas noites de terça), enfrentaria invariavelmente um paredão do Big Brother Brasil (Globo), e isso poderia matar o programa na audiência.

Dá até para dizer que estamos diante de mais um sucesso garantido, e uma boa forma de capitalizar durante o primeiro trimestre de cada ano. A nossa summer season acaba e ganhar um reality muito interessante.